"O nosso objetivo é único. Nós estamos cumprindo o nosso dever com a democracia. Esta é a terceira exumação que estamos fazendo e o Jango faz parte de uma família que está sendo atendida. Como é um ex-presidente, isso pode até mexer com aspecto político, principalmente depois que a presidente Dilma decidiu conceder honras militares a quem morreu no exílio. Mas isso é o cumprimento do dever moral, diante da oportunidade que a família nos deu", disse em entrevista à Rádio Guaíba nesta quarta-feira.
A exumação dos restos mortais de Jango tem o objetivo de esclarecer a morte do ex-presidente, que poderia ter ocorrido por envenenamento. Maria do Rosário destacou que o trabalho será feito somente em Brasília porque a cidade abriga o Instituto de Criminalística da Polícia Federal e por isso não poderia ser feito em solo gaúcho. "Desde o começo, eu deixei claro para a presidente que o processo seria completado em Brasília. Nós não temos como adiantar alguma coisa e vamos deixar para os peritos que estão aqui. Temos profissionais do Uruguai, Argentina e Cuba. Além disso, o corpo técnico conta com membros do comitê internacional da Cruz Vermelha", argumentou.
Maria comentou que a Secretaria dos Direitos Humanos ainda trabalha com dois casos de exumação. Ela, no entanto, negou-se a revelar a identidade das outras duas vítimas da ditadura. "O que falavam sobre estes dois episódios é de que se tratavam de pessoas mortas em confronto. Eu prefiro não divulgar nada porque existem pressupostos éticos em torno disso. O laudo e a identidade destas pessoas só virão a público com a autorização das famílias", explicou.
O governador Tarso Genro chegou por volta das 10h ao cemitério Jardim da Paz, em São Borja. Ele ingressou no local sem falar com a imprensa e chegou apenas para cumprimentar a família do ex-presidente João Goulart.
Com informações da repórter Fernanda Pugliero