Política

RS não tem fôlego fiscal para contratações temporárias aprovadas na segurança pública, afirma Fazenda

Secretária Pricilla Santana compareceu a uma audiência pública na Assembleia Legislativa para detalhar projeto de reestruturação de carreiras aprovado em julho

Apesar da presença da titular da pasta, reunião foi esvaziada, com apenas um deputado presente no local
Apesar da presença da titular da pasta, reunião foi esvaziada, com apenas um deputado presente no local Foto : Rodrigo Savedra/Divulgação/CP

O governo do Rio Grande do Sul garantiu a aprovação de uma reestruturação de carreiras no final de julho, como parte de uma reforma administrativa encampada por Eduardo Leite (PSDB). Porém, o Estado não tem capacidade de fazer as contratações temporárias permitidas pela lei aprovada na Assembleia Legislativa, segundo a secretária estadual da Fazenda.

“Hoje, o RS não tem condições de fazer o chamamento daquelas 2,5 mil pessoas que está autorizado. Pode ser que daqui a um ano, tenha. Hoje, tenho certeza que não”, afirmou Pricilla Santana, durante audiência pública na Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle do Parlamento.

As contratações autorizadas são essencialmente destinadas à área da segurança pública. São 2.731 vagas para a Brigada Militar e 300 para o Corpo de Bombeiros Militar. Se todas as contratações fossem realizadas, somadas ao reajuste escalonado de 12,49% para os agentes, o impacto fiscal poderia chegar a R$ 8 bilhões até o fim de 2026.

“Ali foi uma autorização que leva em consideração as necessidade do Estado até o final do governo, em 2026. Essa autorização vai ser manejada com muito critério e cuidado. Nunca escondi que hoje não conseguimos contratar todos”, disse Pricilla.

O Executivo não poderá utilizar, por exemplo, recursos provenientes do não pagamento da dívida com a União para realizar essas contratações. A verba será encaminhada ao Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e não poderá, por vedações da lei, ser implementada em despesa corrente continuada, na qual se encaixa o gasto com pessoal.

“Não posso trocar quase R$ 25 bilhões por despesa de pessoal, de jeito nenhum. É muito recurso e é o futuro do Estado que está em jogo”, afirmou a titular da Fazenda estadual.

O valor se refere às parcelas da dívida que estão sendo destinadas ao Funrigs até maio de 2027, cerca de R$ 14 bilhões, e da suspensão de aplicação dos juros sobre o saldo devedor no período, cerca de R$ 11 bilhões.

A fala da secretária foi criticada pelo deputado Rodrigo Lorenzoni (PL), quem fez o convite para que Pricilla comparecesse à Assembleia. “Não vão ser chamados o número de servidores que o projeto aprovou. Isso não tinha sido dito. Ou seja, o governo deliberadamente mentiu mais uma vez para a sociedade. Pois, se falasse a verdade, talvez não tivesse os votos da bancada da esquerda para aprovar o projeto. Nós alertávamos que não haveria recursos para pagar e ela admitiu hoje”, disse o parlamentar.

Lorenzoni foi o único deputado a comparecer presencialmente na audiência para ouvir a secretária. Os parlamentares Patrícia Alba (MDB), que preside a Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle, e Pepe Vargas (PT) participaram de forma remota.