A um dia dos protestos contrários ao governo federal, organizados em todo o Brasil, alguns dos principais representantes do PT (Partido dos Trabalhadores) reúnem-se em Porto Alegre, neste sábado, para discutir as perspectivas e desafios do partido. O seminário, que faz parte das comemorações de 35 anos do PT, começou por volta das 10h e se estende até o fim do dia, na Câmara de Vereadores da Capital. Os petistas acusam a oposição e parte da grande mídia de fomentar um clamor ilegítimo pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, enquanto, ao falar publicamente, negam participação nas mobilizações. Mesmo diante da perda de popularidade de Dilma, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, avalia as dificuldades como passageiras e atribui as manifestações da classe média a reajustes econômicos naturais.
“Era natural que houvesse declínio da popularidade, mas certamente ela vai recuperar. Não sei ainda a dimensão da manifestação deste domingo, mas acredito que, com artistas convocando, TVs até mudando horário de jogos, é possível que haja bastante participação. Mas acho que a popularidade não se mede por aí. O fato de as pessoas poderem ir à rua é sinal de que o nosso governo garante a democracia no país. Parece que a manifestação de amanhã tem várias bandeiras. Inclusive, um dos que patrocina não quer falar em impeachment. Mas não há fato jurídico concreto que motive qualquer pedido de impedimento e, do ponto de vista político, menos ainda, porque as pessoas relutam em falar nisso. Quem não quer a presidente que espere 2018 para disputar na urna”, provoca Falcão.
O ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, também painelista no evento do PT em Porto Alegre, reafirma a crença na necessidade de uma reformulação do partido. Fora de cargos políticos após perder as eleições no Estado, Tarso defende a agilização da reforma política com o fim do financiamento privado de campanhas. ”Tenho lutado com meus companheiros, que ainda são minoria dentro do partido, para que a remodelação ocorra de maneira mais aguda.
(…) Eu estou vinculado a movimentos da sociedade civil para lutar por uma reforma política muito importante, que pode começar rapidamente. Eu pergunto por que as forças politicas sadias do país não se unem, neste momento, para votar a proibição do financiamento empresarial de campanha? Essa é a principal fonte de corrupção do país. Não conseguimos votar isso imediatamente porque tem gente que não quer”, afirma Tarso.
Tarso preferiu não se manifestar sobre recentes medidas econômicas da presidente Dilma, mas ressaltou que não acredita na necessidade de uma reforma ministerial. O presidente do diretório gaúcho do PT, Ary Vanazzi, foi o único a criticar abertamente as correções de tarifas pelo governo federal, em 2015. Como medida para enfrentar as disputas de classes, Vanazzi cobra da presidente, por exemplo, a taxação de grandes fortunas.
O principal líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) no país, João Pedro Stédile, que esteve em Porto Alegre na manifestação da última quinta-feira, participa durante a tarde dos debates do PT na Câmara. Os trabalhadores sem terra e representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) foram responsáveis por convocar grande parte dos manifestantes em defesa da democracia nos últimos dias.
Rui Falcão nega crise política e minimiza protestos de domingo
Presidente nacional do PT participa de seminário em Porto Alegre