Os técnicos analisarão as características do túmulo e do cemitério, verificarão se há necessidade de isolar a área e identificar a estrutura para o transporte do material até o aeroporto. Após essa definição, os restos mortais serão transladados para análise laboratorial em Brasília. A exumação propriamente dita, porém, permanece ainda sem data definida, dependendo da construção de um calendário entre os peritos. A previsão é de que dados da coleta também sejam repessados e examinados por outros centros de análises, de fora do Brasil.
O procedimento foi solicitado pela família do ex-presidente para esclarecer a causa da morte. O exame deve confirmar se Jango sofreu um ataque cardíaco, conforme informado pela autoridades do regime militar. Embora tenha falecido na Argentina, João Goulart foi sepultado em São Borja sem passar por uma autópsia por imposição dos militares.
A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, reiterou nessa terça, em entrevista à Rádio Guaíba, a importância de se exumar o corpo de Jango, uma vez que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) vem esclarecendo capítulos recentes da história do Brasil. Rosário lembrou a tese de suícido de Vladimir Herzog, já desmascarada, bem como o envolvimento do Exército no desaparecimento do deputado federal paulista Rubens Paiva, sumido em 1971.
Jango morreu em 6 de dezembro de 1976 exilado em Mercedes, no Norte da Argentina Parentes e amigos próximos do ex-presidente dizem que a morte pode ter ocorrido em função da substituição de medicamentos rotineiros de Goulart por parte de agentes da repressão. As investigações conduzidas pela CNV apontaram que o ex-presidente foi mais uma vítima da Operação Condor, montada pelas ditaduras militares de Brasil, Argentina e Uruguai para perseguir opositores.
Com informações dos repórteres Alberi Cogo e Gabriel Jacobsen