Política

São Leopoldo pode ter 262 CCs com aprovação de reforma administrativa

Votação ocorreu em regime de urgência e em sessão tumultuada

Em sessão tumultuada, os vereadores de São Leopoldo aprovaram nessa quinta-feira a reforma administrativa do município do Vale do Sinos. O projeto de lei (PL), votado em regime de urgência e aprovado por nove dos 11 parlamentares, autorizou a criação de 262 vagas para Cargos em Comissão (CCs). Os CCs são destinados à Prefeitura, à Fundação Hospital Centenário e ao Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae).

A reformulação do PL e a diminuição do número de CCs de cada vereador – de três para um – eram algumas demandas do grupo Na Rua São Léo, que tentou ingressar no plenário da Câmara de Vereadores durante a sessão de ontem. Prevendo a ocupação, o presidente da Casa, Luiz Andrade, distribuiu 50 senhas para aqueles que tinham interesse em assistir à votação, mas o grupo alegou que só aceitaria se houvesse lugar para todos os integrantes do movimento. 

Brigada Militar e Guarda Municipal foram acionados para garantir a segurança dos vereadores. Houve tentativa de invasão e os policiais utilizaram spray de pimenta contra os manifestantes. Na ação, duas pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas ao Hospital Centenário com ferimentos leves. Os manifestantes já haviam ocupado a Casa por um dia e permanecem acampados na Praça do Imigrante, em frente à Câmara Municipal.

O presidente da Câmara de Vereadores e alguns secretários municipais saíram da sessão escoltados por policiais. A bancada do PT afirmou que irá recorrer judicialmente da aprovação da lei, já que, segundo os parlamentares, não foi cumprida a tramitação necessária. Atualmente, há 177 CCs em São Leopoldo, incluindo os secretários municipais.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, o movimento Na Rua São Leo informou que encaminhou processo ao Ministério Público para solicitar a invalidação da votação. No texto, o grupo também comentou a ação da polícia durante a sessão de ontem.

Leia a nota:

"Não nos sentimos intimidados, nem pela covardia dos vereadores nem pela truculência da polícia, e afirma que seguirá os seus manifestos até que as exigências claramente expostas sejam atendidas. Aliás, o número de barracas na ocupação em frente a Câmara só aumentou desde ontem, em um claro sinal de que a população abandou o estado de inércia e não vai mais admitir medidas impostas sem o seu consentimento. Em paralelo a isso, o bloco já encaminha um processo junto ao Ministério Público, que deve invalidar a votação ILEGAL ocorrida na noite de ontem".


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