Na véspera da reunião com as principais lideranças tucanas para discutir o possível desembarque do PSDB da base aliada do governo do presidente Michel Temer (PMDB), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), indicou que a decisão de seu partido sobre a permanência na gestão do peemedebista é questão de semanas.
Após assistir ao desfile cívico em homenagem aos combatentes da Revolução Constitucionalista de 1932, na capital, o governador adiantou que não vê motivo para o PSDB participar do governo depois da votação da reforma trabalhista, prevista para amanhã, no Senado. "Hoje nós devemos aguardar o término das reformas. Depois disso, eu vejo que não há nenhuma razão para o PSDB participar do governo", declarou. O governador convocou uma reunião de emergência para alinhar o discurso da legenda. O encontro será hoje, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, com as principais lideranças do partido - como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de governadores e parlamentares. A reunião foi confirmada pelo prefeito João Doria, que também participou do evento cívico.
Alckmin adiantou, porém, que o encontro não deverá ser o que baterá o martelo sobre os rumos da aliança do partido com o governo Temer. Há meses os tucanos vêm adiando uma decisão definitiva sobre quando desembarcar da base aliada do governo. A iniciativa de convocar o encontro foi tomada em um momento de acirramento do racha entre os tucanos. O senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino do partido, disse que o País "beira a ingovernabilidade". Além disso, existe o temor que a impopularidade de Temer possa contaminar o PSDB nas eleições de 2018.
Turbulências
Na avaliação de Alckmin, os tucanos devem ajudar o Brasil, "mas sem precisar participar do governo". Questionado sobre se este é o momento certo para o PSDB sair da base aliada que dá sustentação ao governo Temer, Alckmin respondeu que por ele encerraria a aliança, mas ponderou que o partido tem responsabilidade com o País e que um eventual desembarque pode causa tumulto num momento em que o governo federal já encontra dificuldades para aprovar a reforma trabalhista.
"Eu encerraria. Vamos ter na terça-feira a decisão da questão trabalhista. É questão de semanas (para o PSDB tomar uma decisão). Olha que não fui favorável a entrar no governo, mas acho que nós deveremos
encerrar esse período (das reformas)", acrescentou.
O governador voltou a defender que o compromisso de seu partido não deve ser com o governo nem com cargos. "Aliás, lá atrás (desde que Temer assumiu o comando do País) já tinha defendido que nós deveríamos aprovar todas as medidas de interesse do Brasil, as reformas, sem participar com cargos no governo", declarou Alckmin. "Precisamos preservar o emprego, ajudar a economia e não causar mais turbulência."
Equilíbrio
O prefeito João Doria, que assistiu ao desfile cívico ao lado de Geraldo Alckmin, reiterou que o PSDB desembarque do governo do presidente Michel Temer, mas apoie as reformas em andamento no País. "Não defendo que o PSDB se mantenha no governo. Defendo que o PSDB tenha um olhar para o Brasil, e como fazer para que as reformas continuem."
Para Doria, pensar neste momento apenas na questão partidária ou na oportunidade política é um gravíssimo erro. "É preciso ter consciência e equilíbrio para tomar decisões. Não vejo que as decisões devam ser apenas de ordem partidária e política. Devem ser de ordem social", disse o prefeito, fazendo uma defesa da aprovação das reformas trabalhista e da Previdência. Doria evitou falar sobre qual seria o melhor nome para liderar o País neste momento. "Não vejo discussão em torno de nomes. Vejo discussão em torno do País, de qual é a melhor alternativa para estabilizar o
País."
Saída do PSDB é "questão de semanas", diz Alckmin
Governador de São Paulo acredita que tucanos devem ajudar Brasil sem participar da gestão Temer