Os jornalistas e colunistas do Correio do Povo, Juremir Machado da Silva e Taline Opptiz, entrevistaram o governador José Ivo Sartori direto do do Palácio Piratini. O programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, comandado pelos dois jornalistas completou cinco anos nesta sexta-feira. O ponto alto da entrevista foi quando Sartori falou sobre a dívida do Estado com a União.
O governador deixou claro que é contra a lei que dá prazo à presidente Dilma Roussef para regulamentar a dívida dos Estados com a União. Sartori comentou que prefere a iniciativa da presidente, sem a pressão da lei. “Eu sou daqueles que pensam que não é preciso ter uma legislação”, disse o governador.
Dilma Rousseff falou nesta semana que o governo não pode promover a regulamentação agora, mas só quando a situação fiscal do país melhorar.
Confira os principais trechos da entrevista com o governador
Começo do governo, situação econômica
“Eu acho que sabíamos das dificuldades do Rio Grande do Sul, talvez, não na dimensão que isso se apresenta"
Relação com os Cpers
"Acompanho desde a eleição da nova diretoria e tenho certeza que a dona Elenir, que é a liderança que conduz todos os professores do Estado quer a negociação e o entendimento. Sigo acompanhando as manifestações. Pessoalmente, tive franqueza com eles quando fui questionado (...) Não assinei a carta de compromisso porque estava claro que podia ter dificuldades para cumprir. Entendimento sempre tem que ter. Negociações tem que haver e temos que realizar um processo com uma construção coletiva. Valorizar professores, valorizar educação e fiquei contente com o comentário que, depois de muitos anos, apesar de todas as dificuldades, tivemos um começo de ano letivo sem grandes dificuldades. Pelo menos, iniciou calmo".
Ausência de projetos para a Assembleia
“Estamos todos elaborando todas as questões que, eventualmente, poderemos encaminhar à Assembleia Legislativa. Queremos trabalhar com a normalidade de sempre. A única coisa que fizemos foi a mudança da estrutura administrativa do Estado que foi aprovada pela Assembleia Legislativa e, provavelmente, vamos fazer outras alterações na estrutura, vamos dizer, orgânicas do Estado.
Não ter acabado com o imposto de fronteira
“Essa é uma discussão... Tivemos uma atitude agora que consideramos todas partes que são contra e a favor. Foram colocados todos em um grupo de estudo e de alternativas para se discutir melhor o que pode ser feito. Nós podíamos ter uma atitude, arguir a inconstitucionalidade, mas deixaria mal o secretário da Fazenda e o deputado Frederico Antunes (risos). E também deixaria mal o governo anterior, que não fez isso e deixou a coisa andando".
Uso dos depósitos judiciais para pagamento da folha salarial
“Parece que na semana que passou houve uma ocupação para folha de pagamento. Eu não... Sinceramente... Na anterior, tinha sido para o pagamento da dívida. Nesta ficou uma parte para isso. Estamos fazendo todo o esforço possível de remanejamento interno. De adequação de todas as situações para não permitir atrasos nos pagamentos dos salários dos servidores ou de parcelamento deles. Estamos caminhando nessa direção e vamos esgotar a nossa criatividade e a nossa potencialidade de trabalho. Quero dizer mais uma palavra para todos os servidores que acreditaram e dando a contribuição lá na Fazenda, na Administração e nas outras secretarias que esse é o nosso desejo e nossa vontade. Agora, como isso vai evoluir e de que maneira... Sabemos que janeiro e fevereiro são situações difíceis. A arrecadação diminui. Tivemos um orçamento que, de certa forma, as despesas estavam um pouco abaixo daquilo que elas poderiam acontecer. A receita estava dimensionada a mais. Tivemos que fazer esse ajuste e, por isso, tomamos a atitude de contingenciar, em cada secretaria, os 20% que é para adequar o orçamento de 2015 mais próxima da realidade de 2014.
Irmãos e parentes de deputados terem sido indicados para cargos do Executivo
"Sobre a questão dos irmãos, o próprio Supremo Tribunal Federal considera que nepotismo seja dentro do mesmo poder. Evidentemente, isso existe e as pessoas tem capacidade. Já tiveram funções públicas. Tiveram o seu papel e cumpriram o seu papel. Tem alguns que tem mais vida política que o próprio irmão. Eu não conheço nada que os desabone ou que tenham praticado alguma dificuldade".
Sartori é contra lei que dá prazo para presidente regulamentar dívida dos Estados
Governador concedeu entrevista direto do Piratini para o programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba