O governador do Estado, José Ivo Sartori, afirmou nesta sexta-feira que sua meta é priorizar com valores maiores no pagamento de parcelas os servidores com salários menores. Sartori, porém, lamentou que ações judiciais de sindicatos impedem o governo de fazer isso. No começo deste mês, o Piratini pagou apenas R$ 350 a cada servidor no primeiro depósito dos salários relativos a agosto. O valor foi o menor desde o início dos parcelamentos, em 2015.
“Eu estou repensando algumas atitudes e vou ver o que se pode fazer. As ações dos próprios sindicatos e algumas entidades sindicais que fizeram com que o Estado não pudesse pagar, pelo menos, primeiro aqueles que ganham menos. Isso é uma questão de justiça social e correta. Ainda temos esse empecilho pela frente. Vou fazendo aquilo que acho que é possível de fazer”, disse Sartori, que destacou que o governo nunca deixou passar do décimo dia a integralização do pagamento.
“A população está consciente da realidade financeira do Rio Grande do Sul, Alguns setores ainda não compreenderam isso e não compreendem. Se não plantarmos a semente positiva de equilíbrio financeiro do Estado, ninguém vai pagar o dinheiro que não tem. Se em 47 anos nós tivemos apenas sete em que a receita foi superior a despesa e se o poder público sempre esteve voltado para si mesmo e não enxergou a população, nós temos que ter coragem. Nenhum governante gostaria de fazer isso, mas tenho de dizer com a certeza que nunca ficou além do décimo dia para serem pagos todos os salários”, completou o governador, que está na Alemanha em viagem na busca por recursos ao Rio Grande do Sul.
Antes da viagem de Sartori, o governo encaminhou à Assembleia Legislativa, em regime de urgência, o projeto de lei que abre as portas para a renegociação da dívida com a União nos moldes do regime de Recuperação Fiscal (RRF) dos estados proposto pelo governo federal. Apesar do alívio aos cofres financeiros projetados pelo Piratini com a adesão ao RRF, não há garantia de que resolverá o problema do parcelamento de servidores.
“Com o regime de recuperação fiscal vamos chegar a um nível que representa apenas um quinto da folha de pagamento. Portanto, é preciso ter calma, paciência e nos prepararmos para enfrentar da melhor maneira. O que defendo é o projeto como um todo e que ele sirva para o futuro do Rio Grande do Sul. O que está em jogo é o futuro do RS, para termos um novo estado e um alinhamento diferente para construirmos uma nova realidade”, disse Sartori.
“Começamos o governo com a perspectiva de ter um déficit de R$ 25,5 bilhões e podemos chegar ao final de 2018 com R$ 10 bilhões. Isso sem o regime de recuperação fiscal. Se tivermos o regime, ficaremos a menos que isso”, salientou.
Visita a aeroporto de Frankfurt
A comitiva do governo do Estado visitou nesta sexta-feira as instalações do aeroporto de Frankfurt, administrado pela Fraport, empresa que passou a administrar o aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, no final de agosto. José Ivo Sartori, que se encontrou com diretores da Fraport, avaliou como positiva a conversa com os alemães.
Sartori projetou que em 2018 seja iniciada a obra de ampliação da pista do Salgado Filho. “Acredito que com calma vai ser um processo construído. O mais importante é que a própria empresa tem dito que gosta de ter a responsabilidade social e o aspecto ecológico. Evidentemente que gostam também da economia, ninguém vai investir sem ter o retorno, mas quem vai ganhar é o Rio Grande do Sul. Não é só Porto Alegre, a Capital, mas o Estado como um todo. Eles têm todos os projetos quase prontos e acredito que já começa a construção da outra parte (do aeroporto) já no ano que vem”, afirmou.
Sartori lamenta ações que impedem governo de priorizar servidores com salários menores
Governador diz que estuda uma forma de compensar funcionários com menor renda