Política

Sartori: “Manobra não foi contra o governo, foi contra o Estado”

Governador criticou oposição após término das sessões extraordinárias sem a votação de projetos do Executivo

Em pronunciamento, Sartori criticou oposição na Assembleia
Em pronunciamento, Sartori criticou oposição na Assembleia Foto : Dani Barcellos / Governo do Estado / CP
Visivelmente irritado, o governador José Ivo Sartori fez um pronunciamento no início da noite desta quarta-feira, pouco após a Assembleia Legislativa terminar a terceira sessão extraordinária convocada pelo Executivo sem analisar nenhum dos projetos encaminhados pelo governo: “Essa manobra não foi o nosso governo, foi contra o Estado do Rio Grande do Sul”, acusou Sartori.

O governador criticou o radicalismo da oposição e citou projetos que os deputados que não integram a base governista votou contra ou não compareceu à sessão. “Uma oposição radical, que causou parte da crise que está aqui”, disse. “Não ajudou em nada a saída (da crise).”

Sartori atrelou a protelação da adesão do Estado ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) ao agravamento da crise: Quem vai responder amanhã pelo atraso nos salários ou seu parcelamento? Até pelo pagamento aos municípios”, questionou. Este projeto, assim como as PECs que autorizam a venda de CEEE, Sulgás e CRM, seguirão “percorrendo o caminho normal dentro da Assembleia”, segundo o governador. “Desejamos que pelo menos se vote.”

Sobre a adesão ao RRF, ele lembrou que no caso de o Estado ingressar no acordo, deverá manter em seus cofres cerca de R$ 11,3 bilhões durante a suspensão temporária do pagamento da dívida com o Executivo Federal. “Se nós não aderirmos ao regime, vamos deixar de permanecer com R$ 11,3 bilhões nos cofres do RS. Isso sim fará sangrar os cofres do Estado.”

O governador lembrou que a liminar que faz com que o governo não pague a parcela da dívida da União pode ser derrubada a qualquer momento. “E se a liminar cair amanhã? Por força do gesto político que nós não tivemos a compreensão que tivemos na Assembleia”, disparou, antes de emendar mais críticas à oposição: “Esses setores vão ser responsabilizados se o atraso dos salários aumentar. Esses setores políticos vão ser responsabilizados”.

“Nunca nos comportamos como militantes”

Em um tom duro, o governador atacou a oposição pela falta de votação ao lembrar que o ex-senador Pedro Simon, quando era deputado estadual e líder da oposição, fez um acordo com a Arena para a instalação do polo petroquímico no Estado: “Não vamos deixar que as briguinhas políticas e ideológicas tranquem o progresso do Estado. A sociedade com certeza não suporta mais essa pequenez e essas traquinagens políticas”.

Numa crítica velada ao presidente da Assembleia, Edegar Pretto (PT) – a quem disse não ter nenhuma restrição –, Sartori disse que já comandou a Casa, assim como outros aliados, mas que tiveram outra atitude: “Sempre nos comportamos de presidentes de um poder e nunca como militantes de um partido político”.