Política

Se crise fosse motivo para tirar presidente, nenhum sobreviveria, diz Dilma

Presidente citou suposta vingança de Cunha ao iniciar processo de impeachment

Presidente citou suposta vingança de Eduardo Cunha ao iniciar processo de impeachment
Presidente citou suposta vingança de Eduardo Cunha ao iniciar processo de impeachment Foto : Roberto Stuckert Filho / PR / Divulgação / CP
A presidente Dilma Rousseff conversou com jornalistas de veículos internacionais na manhã desta terça-feira em Brasília e lamentou a continuidade do processo de impeachment contra ela, aprovada nesse domingo na Câmara dos Deputados. "Eu tenho certeza de que não houve um presidente que não tenha sido alvo de processo de impedimento. Se a crise econômica fosse argumento para tirar um presidente, não teria um que sobreviveria", afirmou. 

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Ao explicar a sua situação, Dilma relatou um suposto "pecado original" no começo do processo de impeachment. "Eu me sinto injustiçada quando tentam diminuir a exigência de base legal para propor o impedimento de um presidente da República. É um golpe porque ele está revestido por um pecado original. Para que se leve adiante, é necessário que haja crimes de responsabilidade. As acusações não ficam de pé e, mesmo que elas fossem verídicas, não caracterizariam infrações dessa natureza", argumentou. 

A presidente declarou ainda que o processo de impedimento tomou forma a partir de uma "explícita vingança nos dias que antecederam a aceitação da proposta de impeachment. "Um grupo propôs a minha saída e o presidente da Câmara (Eduardo Cunha) acolhe o pedido e dá início ao processo, sendo que dias antes já estava em discussão o futuro dele dentro da Casa, já que era investigado por corrupção e precisava de votos do partido do governo para inviabilizar o seu afastamento. Nós nos recusamos a fazer esta barganha. Ele (Cunha) aceitou o pedido dentro da teoria de quanto pior, melhor", acrescentou Dilma. 

Dilma recordou que a imprensa brasileira relatou que Cunha achava que se houvesse um impeachment, o processo seria suficiente para desviar as atenções dos supostos atos de corrupção. "Eu me sinto vítima de um processo em que os meus julgadores, principalmente o presidente da Câmara, têm um retrospecto que não os recomenda", completou. 

Bolsonaro

Indiretamente, Dilma fez menção a Jair Bolsonaro, deputado do PSC que durante o seu voto chegou a citar o falecido coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-CODI durante a ditadura militar. "Num processo como o nosso, em que a democracia resulta de uma grande luta, é terrível ver no julgamento de alguém defendendo um torturador", lamentou.