Política

“Se o governo não faz a parte dele, não é o produtor que tem que ser penalizado”, diz Maggi

Novo ministro da Agricultura confirmou que Neri Geller fará parte de sua equipe no governo Temer

Blairo Maggi foi nomeado novo ministro da Agricultura no governo Temer
Blairo Maggi foi nomeado novo ministro da Agricultura no governo Temer Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP Memória
A agilização do registro de produtos químicos, a participação de veterinários na inspeção de produtos de origem animal e a prorrogação do CAR estão na agenda do novo ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Em entrevista ao Correio do Povo, ele confirmou que o ex-ministro Neri Geller fará parte de sua equipe e falou sobre a recente polêmica com ambientalistas.

Renda e Equipe

Maggi defende a melhoria de renda do produtor a partir de dois eixos: melhores condições da logística e a agilização do registro de princípios ativos e produtos como herbicidas e inseticidas, que ele pretende discutir com a Anvisa. “Se eu conseguir liberar mais produtos, se eu tiver um portfólio maior, a tendência dos preços é cair e a gente elimina o monopólio.”

O ministro também pretende definir a equipe que irá atuar na pasta nesta semana. Maggi confirmou que o ex-ministro Neri Geller fará parte da equipe. O destino dele deve ser a Secretaria de Política Agrícola. Sobre as críticas ao nome de Geller, devido à isenção da TEC para o trigo importado, adotada em 2013 e 2014 pelo ministério, o novo ministro afirmou que a decisão não teria partido de Geller. Ele garantiu que vai ouvir produtores do Sul do Brasil para as políticas relacionadas ao trigo.

Plano Safra e Inspeção

Segundo o ministro, tudo indica que as condições do Plano Safra 2016/2017 não serão alteradas. “As primeiras informações que nós temos de dentro do governo é de que aquilo que havia sido compromissado será mantido.” O novo ministro se mostrou favorável ao sistema de inspeção de produtos de origem animal por acreditação de veterinários. A medida foi criticada por sindicatos. “Entendo o pensamento corporativo do pessoal que trabalha nessa área, mas temos que pensar para o futuro. Somos um país que vai crescer muito na produção”, disse Maggi.

PEC 65 e CAR

Maggi disse ser favorável à retirada da vacinação da febre aftosa, “mas com algum receio”. “Dá trabalho (a vacinação), mas você tem uma certa segurança”, ponderou. O ministro ressaltou, no entanto, que qualquer decisão será tomada em conjunto com representantes dos produtores.

Criticado por ambientalistas por ter sido o relator do texto no Senado, Maggi afirmou que a discussão sobre o tema está “completamente equivocada”. “A única coisa que está querendo fazer a PEC é que uma vez dada a licença ambiental e você começar a trabalhar nesta obra, não se pode interrompê-la por qualquer coisa que não sejam fatos supervenientes, ou seja, fatos novos que não estavam previstos, que não foram estudados”, defendeu.

O novo ministro foi favorável à prorrogação do prazo de preenchimento para todos os produtores. De acordo com ele, muitos agricultores relataram problemas com o programa que realiza o cadastro. “Se o governo não fez a parte dele, não é o produtor que tem que ser penalizado”, justificou.