A agilização do registro de produtos químicos, a participação de veterinários na inspeção de produtos de origem animal e a prorrogação do CAR estão na agenda do novo ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Em entrevista ao Correio do Povo, ele confirmou que o ex-ministro Neri Geller fará parte de sua equipe e falou sobre a recente polêmica com ambientalistas.
Renda e Equipe
Maggi defende a melhoria de renda do produtor a partir de dois eixos: melhores condições da logística e a agilização do registro de princípios ativos e produtos como herbicidas e inseticidas, que ele pretende discutir com a Anvisa. “Se eu conseguir liberar mais produtos, se eu tiver um portfólio maior, a tendência dos preços é cair e a gente elimina o monopólio.”
O ministro também pretende definir a equipe que irá atuar na pasta nesta semana. Maggi confirmou que o ex-ministro Neri Geller fará parte da equipe. O destino dele deve ser a Secretaria de Política Agrícola. Sobre as críticas ao nome de Geller, devido à isenção da TEC para o trigo importado, adotada em 2013 e 2014 pelo ministério, o novo ministro afirmou que a decisão não teria partido de Geller. Ele garantiu que vai ouvir produtores do Sul do Brasil para as políticas relacionadas ao trigo.
Plano Safra e Inspeção
Segundo o ministro, tudo indica que as condições do Plano Safra 2016/2017 não serão alteradas. “As primeiras informações que nós temos de dentro do governo é de que aquilo que havia sido compromissado será mantido.” O novo ministro se mostrou favorável ao sistema de inspeção de produtos de origem animal por acreditação de veterinários. A medida foi criticada por sindicatos. “Entendo o pensamento corporativo do pessoal que trabalha nessa área, mas temos que pensar para o futuro. Somos um país que vai crescer muito na produção”, disse Maggi.
PEC 65 e CAR
Maggi disse ser favorável à retirada da vacinação da febre aftosa, “mas com algum receio”. “Dá trabalho (a vacinação), mas você tem uma certa segurança”, ponderou. O ministro ressaltou, no entanto, que qualquer decisão será tomada em conjunto com representantes dos produtores.
Criticado por ambientalistas por ter sido o relator do texto no Senado, Maggi afirmou que a discussão sobre o tema está “completamente equivocada”. “A única coisa que está querendo fazer a PEC é que uma vez dada a licença ambiental e você começar a trabalhar nesta obra, não se pode interrompê-la por qualquer coisa que não sejam fatos supervenientes, ou seja, fatos novos que não estavam previstos, que não foram estudados”, defendeu.
O novo ministro foi favorável à prorrogação do prazo de preenchimento para todos os produtores. De acordo com ele, muitos agricultores relataram problemas com o programa que realiza o cadastro. “Se o governo não fez a parte dele, não é o produtor que tem que ser penalizado”, justificou.
“Se o governo não faz a parte dele, não é o produtor que tem que ser penalizado”, diz Maggi
Novo ministro da Agricultura confirmou que Neri Geller fará parte de sua equipe no governo Temer