Política

Secretário do RS vê pontos positivos, mas aponta problemas em MP da educação

Alcoba acredita que financiamento do turno integral será desafio e lamenta retirada de artes e educação física

Alcoba acredita que financiamento do turno integral será desafio e lamenta retirada de artes e educação física
Alcoba acredita que financiamento do turno integral será desafio e lamenta retirada de artes e educação física Foto : Evandro Oliveira / Seduc-RS / Divulgação CP
O presidente Michel Temer apresentou, nesta quinta-feira, mudanças envolvendo o Ensino Médio no Brasil. Em entrevista à Rádio Guaíba, o secretario estadual de Educação, Luiz Antônio Alcoba de Freitas, avaliou as mudanças, de maneira geral, como positivas. Ele reconheceu, porém, alguns problemas na Medida Provisória, que precisa ser votada pelo Congresso em até quatro meses.

Para Alcoba, o principal ponto é o do incentivo ao ensino integral. Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), até 2024, 50% dos matriculados cumprirão jornada escolar em tempo integral de, no mínimo, sete horas por dia, somando 4,2 mil horas em todo o ensino médio. O governo Federal vai investir R$ 1,5 bilhão para ofertar o ensino integral a 500 mil jovens até 2018. Para o secretário, o ensino integral é importante, principalmente porque age junto a famílias desestruturadas: ”O que se vê nas regiões mais pobres é que o ensino em casa acaba não ocorrendo. No Estado, nós teremos serviço de avaliação próprio, justamente porque temos regiões com a particularidade de ter um Ideb alto, e outras, baixo. Onde há participação da família, temos um estudo melhor. Nos lugares onde não há, a escola tem um papel importante”, destacou.

O financiamento, conforme o secretário, é o pior problema, já que são necessários mais professores, com maior carga horária, e mais merenda escolar. No Rio Grande do Sul, o ensino integral ainda é tímido, apesar de ter aumentado: o número subiu de 9 mil alunos para 24 mil no último ano.

Outra questão que muda na medida provisória são as disciplinas cursadas. No último ano, o aluno vai poder escolher o que cursar, já se voltando para o mercado profissional. Devem ser trabalhados, também, temas transversais, como prevenção do uso de drogas, educação ambiental, educação sexual, Constituição Federal e Código de Defesa do Consumidor. No entanto, disciplinas como Artes, Educação Física e Espanhol não serão mais obrigatórias.

Sobre essa medida, o secretário pondera: ”Temos que tornar o Ensino Médio mais atrativo. Os estudantes reclamam muito de que há um número excessivo de disciplinas, muitas que não terão aproveitamento em sua vida profissional. Temos que torná-lo atrativo para que alunos permaneçam em sala de aula e sintam que esse conhecimento será útil na vida deles. Com relação a Educação Física e Artes, efetivamente são matérias que consideramos importantes”, salientou. “Neste ponto, considero uma perda, porque são disciplinas fundamentais para o desenvolvimento humano, para uma mente sadia e para o desenvolvimento cognitivo”, complementou.