Política

Sem tornozeleira, Cavendish e Cachoeira são transferidos para Bangu 8

Detidos na Operação Saqueador aguardam equipamento para ficar em prisão domiciliar

Presos da Operação Saqueador deixaram na tarde deste sábado, dia 2, o Presídio Ary Franco, em Água Santa, na zona norte, e seguiram em carro da Secretaria de Administração Penitenciária para Bangu 8, instituição destinada a presos com curso superior. A Justiça havia determinado que o empreiteiro Fernando Cavendish, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Adir Assad e Marcelo Abbud, acusados de serem donos de empresas fantasmas, e Claudio Abreu, ex-diretor da Delta, ficassem em prisão domiciliar, mas por falta de tornozeleiras eletrônicas eles foram transferidos para Bangu 8.

O Estado está em atraso com o pagamento da empresa fornecedora do equipamento de monitoramento. A previsão é de que as tornozeleiras sejam entregues na quinta-feira.

Na sexta-feira, a Justiça concedeu prisão domiciliar aos presos a pedido dos advogados de defesa. O Ministério Público Federal (MPF) informou que vai recorrer da decisão do desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que concedeu prisão domiciliar aos presos.

Cavendish foi preso nesta manhã no aeroporto internacional do Galeão no Rio de janeiro, após desembarcar de um voo da Europa. Ele passou pelo Instituto Médico-Legal antes de ser encaminhado para o presídio Ary Franco. Nas ações do dia 30, o empresário não foi encontrado em casa, no Leblon, zona sul do Rio. Ele havia deixado o país no último dia 22 com destino à Europa.

Os acusados terão que comparecer quinzenalmente em juízo a todos os atos do processo, estão proibidos de manter contato com os demais investigados, de deixar o país, devendo entregar o passaporte em até 48 horas. O advogado de Cachoeira, Marcel Verssiani, espera que o cliente seja solto ainda hoje e informou que Cachoeira cumprirá a pena domiciliar em Goiás, onde mora.

Operação Saqueador


Segundo a denúncia, o esquema da organização criminosa tinha mais de 22 envolvidos e desviou mais de R$370 milhões entre 2007 e 2012. Por meio da Delta, eram repassados valores para 18 empresas de fachada, com contratos fictícios. As investigações apontam que os desvios serviam para pagar propinas a agentes públicos.

Foi verificado ainda aumento dos valores dessas transferências em anos de eleições. Foram feitas transferências, por exemplo, de R$ 80 milhões para uma obra inexistente chamada Transposição do Rio Turvo, no Rio de Janeiro.