Política

Senado aprova isenção de impostos para material escolar

Como projeto ainda depende de votação na Câmara, não deve ser aprovado neste ano

Materiais escolares poderão ficar mais baratos conforme projeto aprovado nesta quarta-feira pelo Senado. O texto prevê isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e alíquota zero de PIS/Pasep e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para lápis, caneta, marcador, pincel, borracha, caderno, pasta e mochila para estudante.

Como ainda depende de aprovação da Câmara dos Deputados para entrar em vigor, não deve haver tempo hábil para aprovar o projeto antes do início do ano, quando os pais vão às papelarias para renovar o estoque de material para o ano letivo.

Além de aliviar o orçamento de muitas famílias, a aprovação do projeto pode contribuir para diminuir a evasão escolar. A avaliação é do autor do projeto, senador José Agripino Maia (DEM-RN). O senador observa que, muitas vezes, alunos abandonam os estudos porque falta dinheiro para comprar roupas, bancar o transporte diário e também para adquirir material didático.

"Exceto nas classes sociais mais abastadas, que têm e sempre tiveram melhores condições para investir em sua formação, sobram motivos para que os brasileiros abandonem os estudos, da pré-escola à universidade. Não bastasse o drama experimentado pelo ensino público nacional, que cai de qualidade a cada dia, precisamos conviver com a dificuldade enfrentada pelos nossos jovens para se manter nos bancos escolares", afirma o senador.

Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário apontam que, hoje, a carga tributária sobre os principais itens da lista de materiais varia entre 15,52% e 47,49%. Além do IPI, PIS, Cofins, incide sobre os materiais escolares o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). O projeto aprovado pelo Senado não prevê qual seria o impacto das desonerações nos cofres públicos.

Para preservar a economia nacional, uma emenda foi incluída ao projeto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para deixar claro que a isenção vale apenas para produtos fabricados no Brasil. "Devemos, certamente, focar na educação de nossos jovens, contribuindo, na medida do possível, para que o material didático e escolar fique cada vez mais acessível. Entretanto, não podemos, com esse intuito, beneficiar o produto estrangeiro em detrimento do nacional", observa o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) no relatório da proposta.