Política

Senado decide hoje futuro de Demóstenes Torres

Parlamentares votam pedido de cassação por quebra de decoro

Manifestação no Rio pediu cassação de senador
Manifestação no Rio pediu cassação de senador Foto : Isabela Kassow / AE / CP
A praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), amanheceu nessa terça-feira com 81 vassouras em verde e amarelo fixadas na areia. Com gravatas pretas amarradas na parte superior, elas representavam os senadores, que votam nesta quarta o pedido de cassação de Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de quebra de decoro parlamentar por ter colocado o mandato a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

No sétimo discurso que fez no plenário para se defender, Demóstenes afirmou ontem resistir a uma "campanha de demolição" de sua honra. "Estima-se que a campanha de demolição da minha honra tenha produzido até agora 3 milhões de textos dos mais diversos tamanhos e graus de agressividade", disse. "Mas eu resisti e chego à véspera da votação com a cabeça erguida e a convicção de que a verdade prevalecerá."

Considerado até março como um dos principais quadros do Congresso, cogitado para ser candidato a presidente da República em 2014, o goiano deve entrar para a história de 186 anos do Senado como o segundo senador a ser cassado por quebra de decoro. Seus colegas calculam que ele terá o mesmo destino de Luiz Estevão (PMDB-DF), que, há 12 anos, deixou a Casa por mentir sobre seu envolvimento no desvio de verbas na obra do fórum trabalhista de São Paulo.


A cronologia do constrangimento:

* 29 de fevereiro - Polícia Federal (PF) deflagra Operação Monte Carlo contra o jogo ilegal em Goiás. São cumpridos 35 mandados de prisão. Entre os presos está o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

* 2 de março - Revista Época expõe ligações entre Demóstenes e Cachoeira, que deu um fogão e uma geladeira como presentes de casamento ao senador.

* 6 de março - Demóstenes fala na tribuna do Senado e confirma a amizade, mas nega ter negócios com Cachoeira.

* 23 de março - O jornal O Globo afirma que Demóstenes pediu R$ 3 mil ao bicheiro para pagar um táxi-aéreo e que passava informações de reuniões no Congresso a Cachoeira. A Procuradoria-Geral da República (PGR) informa que analisa o elo de parlamentares com o bicheiro desde 2009. A investigação estava parada e foi retomada após o recebimento do material da operação da PF.

* 24 de março - No Twitter, o senador defende-se. "Nada fiz para envergonhar meu partido, o Senado, Goiás e o Brasil."

* 27 de março - Demóstenes pede afastamento da liderança do Dem no Senado. A PGR pede que o Supremo abra inquérito para apurar as denúncias.

* 28 de março - O PSol pede abertura de processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar.

* 29 de março - O Supremo abre inquérito e determina a quebra do sigilo bancário do senador pelo período de dois anos.

* 30 de março - Em escutas obtidas pelo jornal O Globo, da Operação Vegas, de 2009, conversas indicam interferência do senador, a pedido do bicheiro, em processo judicial, lobby para regularização de jogos de azar e negócios da Infraero. Dem cobra explicações.

* 31 de março - Novas gravações apontam que Demóstenes atuou em órgãos públicos como Ibama, Infraero e Anvisa para tentar beneficiar Cachoeira. O advogado do senador afirma que vai recorrer ao Supremo para anular a investigação da PF, porque Demóstenes teria sido grampeado ilegalmente.

* 2 de abril - O presidente do Dem, senador Agripino Maia (RN), anuncia a abertura de processo disciplinar que pode levar à expulsão de Demóstenes da sigla.

* 3 de abril - Demóstenes pede desfiliação do partido e alega que houve "pré-julgamento" por parte da sigla. O Dem não pede de volta o mandato do senador.

* 10 de abril - Presidente do Conselho de Ética, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), anuncia a abertura do processo para apurar se houve quebra de decoro parlamentar.

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