Política

Serra acusa Lula de usar governo em benefício de Dilma

Tucano disse que adversários usam de "terrorismo" para tentar minar sua campanha e sua imagem

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou, nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de usar a máquina pública em benefício da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. Para o tucano, o lançamento por parte do governo federal de um programa de combate ao crack, no mês passado, teve vistas às eleições.

Serra disse que, após sete anos e meio de governo, os petistas souberam por pesquisas de opinião da preocupação do eleitor com o crack e lançaram o programa. "É uma tabelinha quase perfeita de uso da máquina. A candidata fala e o governo lança o plano", afirmou.

O tucano acusou os adversários de usarem de "terrorismo" para tentar minar sua campanha e sua imagem, principalmente em debates regionais e por meio da internet. Citou um texto divulgado em blogs por uma pessoa ligada a Lula e Dilma afirmando que ele acabaria com o Programa Universidade para Todos (ProUni) caso eleito. "Eu nunca disse isso. Tem tanta coisa maluca espalhada. Esse é o método terrorista. Não violento, mas terrorista."

Questionado sobre privatizações, tema polêmico que despertou boatos e tirou votos de Geraldo Alckmin, candidato tucano à Presidência em 2006, Serra classificou o tema como um "falso assunto". "Não vejo muito espaço para mais privatizações, mas esse debate sempre é feito com terrorismo", disse. "Essa será uma eleição difícil."

Exemplo dessa dificuldade foi a suposta preparação de um dossiê contra Serra por colaboradores da campanha de Dilma. Serra sugeriu hoje à adversária que se desculpe pelo episódio. "Ela poderia dizer: ''Desculpem se algo errado aconteceu. Estou tomando providências''." Para o candidato, existe uma tendência de "culpar a vítima" em casos como esse. "Até hoje não houve nenhum pedido de desculpas pelo episódio dos aloprados, o que significa que eles vão continuar fazendo (dossiês)."

Serra, hoje defensor do Bolsa Família, já classificou o programa como um "instrumento assistencialista de política eleitoral". Com ar sisudo, disse que os jornalistas haviam deixado de pesquisar o que Lula disse sobre os programas assistenciais criados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Ele chamou de Bolsa Esmola", disse. "Depois juntou o que chamou de Bolsa Esmola e chamou de Bolsa Família."

Vice


O tucano esquivou-se, mais uma vez, de falar sobre quem será seu companheiro de chapa. O PSDB vive há meses uma indefinição sobre o vice, posto recusado pelo ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB). "Também tenho uma enorme curiosidade (a respeito do nome), mas até o final do mês isso se resolve. Acabamos deixando para o final do mês."

Serra negou que haja qualquer acerto entre ele e a presidenciável do PV, Marina Silva, com vistas à eleição de outubro. "Adoraria ser o herdeiro dos votos de Marina (em um eventual segundo turno). Eu até toparia uma tabelinha com Marina, mas não tem", disse. Segundo Serra, a identificação entre os dois se dá pelo fato de ele ser também um "ambientalista".

O tucano aproveitou para elogiar outro verde, o candidato ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, que deve contar com o apoio do PSDB no Estado. "Acho Gabeira um grande quadro. Gosto e respeito muito. É um orgulho tê-lo como companheiro de geração."

Serra alfinetou Dilma Rousseff. "Como se vê, um debate como esse não tira pedaço de ninguém. Seria bom se todos os candidatos pudessem vir", disse. A petista cancelou na semana passada a participação nas sabatinas e deu como justificativa sua viagem à Europa.