Política

Serra nega "demonização" da Bolívia

"É importante ter uma ação de combate público à situação", defendeu-se o candidato tucano à presidência

Serra se defende sobre críticas feitas à Bolívia
Serra se defende sobre críticas feitas à Bolívia Foto : Camila Domingues / AFP / CP
O pré-candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB), negou nesta quinta-feira, em entrevista coletiva concedida no Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, que esteja promovendo a "demonização" da Bolívia ao culpar o país presidido por Evo Morales pelo tráfico de drogas no Brasil.

Ele foi criticado pela também presidenciável Dilma Rousseff (PT), que o acusou de adotar um comportamento "imperialista que gera guerras". "A preocupação é com a questão da droga no Brasil. A maior parte da cocaína que entra aqui vem da Bolívia. É importante ter uma ação de combate público à situação", defendeu-se.

O ex-governador de São Paulo, entretanto, rechaçou a ideia de promover qualquer intervenção na política boliviana. "Eu trato a Bolívia como um país independente", disse Serra. A polêmica começou na quarta-feira, no Rio de Janeiro, quando o tucano afirmou que 90% da cocaína consumida em território brasileiro é proveniente do vizinho latino-americano.

Na noite desta quinta-feira, o governo boliviano também se pronunciou contra a fala de Serra. Já o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, chamou o pré-candidato de "exterminador do futuro" da política externa por sua declaração dada sobre a Bolívia.

Aécio Neves

O tucano ainda garantiu ter sepultado as esperanças de ver o correligionário Aécio Neves (PSDB), ex-governador de Minas Gerais, na condição de vice da sua chapa. "Já sabemos há meses que ele concorrerá ao Senado", afirmou, negando as especulações de que Aécio seria um trunfo do tucanato para barrar o crescimento de Dilma nas pesquisas de intenção de voto.

Eleições gaúchas

No seu terceiro roteiro pelo Estado, Serra esteve acompanhado pelo deputado federal Ruy Pauletti (PSDB). No entanto, a crise gerada entre PMDB e PDT, que exige o cumprimento da aliança nacional com Dilma por parte dos peemedebistas gaúchos, não impediu que o deputado federal Osmar Terra (PMDB) voltasse a manifestar a sua preferência por Serra. Ele participou do evento como ex-secretário estadual da Saúde, mas esteve em contato permanente com a equipe de assessores que organiza as agendas do tucano.

Terra chegou a ser avisado prioritariamente do cancelamento da vinda de Serra ao Estado na quarta-feira, conforme a previsão inicial. "PMDB e PDT devem se preocupar em eleger José Fogaça e Pompeo de Mattos", disse, citando a dobradinha que disputará o Palácio Piratini. Em seguida, defendeu a autonomia dos partidos para se alinhar as campanhas presidenciais. "Nenhum dos dois terá candidato próprio à Presidência. Vai chegar uma hora em que cada um terá de seguir a sua preferência", argumentou, reforçando que o seu partido tem inclinação em favor do tucano.