Política

Servidores e regulados acionam MPF contra bloqueio de orçamento das agências reguladoras

Entidades pedem investigação sobre os impactos da medida imposto pelo governo federal às autarquias

Último Decreto presidencial promoveu um bloqueio de aproximadamente 18% nos limites de empenho e movimentação financeira dos órgãos federais
Último Decreto presidencial promoveu um bloqueio de aproximadamente 18% nos limites de empenho e movimentação financeira dos órgãos federais Foto : Leobark Rodrigues / MPF / Divulgação CP

A União Nacional dos Servidores de Carreira das Agências Reguladoras Federais (UnaReg) e a Logística Brasil, associação que reúne usuários dos setores de portos, transportes e logística, protocolaram uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo a abertura de investigação sobre os impactos do bloqueio orçamentário imposto pelo governo federal às autarquias.

As entidades sustentam que o último Decreto presidencial, que promoveu um bloqueio de aproximadamente 18% nos limites de empenho e movimentação financeira dos órgãos federais, compromete atividades de fiscalização e afeta diretamente consumidores e a ordem econômica.

Pedem a instauração de inquérito civil e a expedição de recomendação ao Poder Executivo para preservar recursos destinados às atividades de custeio e fiscalização das agências.

No documento, as associações afirmam que o corte foi realizado sem critérios técnicos que distinguem despesas passíveis de bloqueio das atividades consideradas essenciais para o cumprimento das competências legais das autarquias. Afirmam que o governo não demonstrou que a redução de recursos não comprometeria a execução das atribuições regulatórias, como exigiriam a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e determinações do Tribunal de Contas da União (TCU).

Veja Também

As entidades argumentam que os efeitos do bloqueio já atingem atividades finalísticas das agências. Entre os exemplos citados estão a suspensão do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), a redução de ações de fiscalização e certificação na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e riscos para a fiscalização dos setores de energia, telecomunicações, transportes terrestres e aquaviários.

Fundamentação legal e pedidos ao MPF

Segundo a representação, o contingenciamento extrapola uma discussão estritamente fiscal porque produz efeitos sobre direitos difusos relacionados à defesa do consumidor e ao funcionamento adequado dos mercados regulados. As entidades citam dispositivos constitucionais que tratam da proteção ao consumidor e da ordem econômica, além de decisões recentes do TCU e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de fortalecimento institucional e financeiro das agências reguladoras.

Entre os pedidos formulados ao MPF estão a requisição de informações à Secretaria de Orçamento Federal e ao Ministério do Planejamento e Orçamento sobre os impactos do decreto, a articulação com o TCU e órgãos de defesa do consumidor, a realização de audiência pública sobre o tema e a avaliação de medidas judiciais voltadas à preservação de atividades de fiscalização consideradas essenciais.