Política

Sessão para cassação de mandato de Eduardo Cunha é suspensa por uma hora

Presidente da Casa busca ampliar número de deputados no plenário

Presidente da Câmara Rodrigo Maia suspendeu por uma hora a sessão para cassar mandato de Eduardo Cunha
Presidente da Câmara Rodrigo Maia suspendeu por uma hora a sessão para cassar mandato de Eduardo Cunha Foto : Luis Macedo / Câmara dos Deputados / CP
A sessão para votar a cassação do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha foi suspensa por uma hora. Marcada para iniciar às 19h, desta segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, determinou a suspensão a fim de que seja alcançado um quórum com número maior de parlamentares presentes no plenário. 

De acordo com Maia, não foi obtida presença necessária para dar início a ordem do dia, já que o painel que contabiliza os deputados presentes foi zerado de uma sessão para outra. O presidente da Casa afirmou que quer colocar a cassação em votação com pelo menos 400 parlamentares no plenário.

Protesto 

Deputados do PT, PCdoB e PSB protestaram contra a decisão e fizeram um apelo para que a presidência mantivesse os trabalhos abertos, aguardando o restante dos deputados. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) lembrou que, habitualmente, os deputados se apressam em seguir para o plenário quando sabem que a sessão está aberta e pediu que a presidência não interrompesse os trabalhos.

"Nós sabemos que os deputados vêm para a sessão depois de aberta. Suspender vai esvaziar ainda mais e dificultar o quórum maior", disse a deputada. O pedido foi em vão, e a sessão foi suspensa pouco tempo depois. 

O presidente Rodrigo Maia apoiou o intervalo de uma hora e explicou que a exigência de quórum mínimo de 400 deputados é regimental e não pode ser ignorada. "Estou cumprindo o regimento. Não posso correr nenhum risco nesta sessão", disse.

Oposição

Mais cedo, Feghali e outros deputados de oposição cobraram que a base aliada do governo de Michel Temer garanta o quórum para a cassação de Cunha. Ela anunciou que PCdoB e PT terão suas bancadas integralmente presentes e rebateu o apelo feito pelo PSDB para que os parlamentares procurem falar pouco durante os debates para que a votação não ocorra muito tarde.

"A primeira coisa é o PSDB colocar a sua bancada aqui", disse a deputada, em tom de cobrança. Segundo ela, não é possível "controlar a boca dos parlamentares" e cada um terá o tempo que precisar para discursar.

Acusação 

O deputado afastado Eduardo Cunha é acusado de ter mentido em depoimento espontâneo à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, em maio de 2015, quando disse não possuir contas no exterior. Cunha nega que tenha mentido à CPI, argumentando que as contas estão no nome de um trust familiar contratado por ele para administrar seus recursos no exterior.