Ultrapassou a marca das 16 horas ininterruptas a sessão do Plenário da Câmara para discutir o relatório que autoriza a abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff por crime de responsabilidade. Os trabalhos começaram às 8h55 da manhã desta sexta-feira. Não há previsão para o encerramento das discussões porque é preciso esgotar a lista dos 25 partidos que têm o direito de discutir a matéria. Cada legenda pode falar por até uma hora.
Os debates têm demorado mais do que o previsto porque, em intervalos, os deputados podem falar no tempo reservado às comunicações de liderança, com tempo proporcional ao tamanho da bancada. Até agora, falaram ao todo mais de 140 deputados. Favoráveis ao afastamento de Dilma Rousseff acusam crime de responsabilidade e mencionam outros fatos: crise política, economia decadente, corrupção. Os deputados contrários, por outro lado, denunciam a existência de um golpe para retirar do poder uma presidente eleita, em uma ruptura da ordem democrática.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) disse que nem as pedaladas fiscais nem os decretos podem ser considerados crimes. “A presidente não praticou crimes. Ela é honesta, sequer foi acusada de praticar qualquer ato ilícito na Operação Lava Jato”, ressaltou.
Já para o deputado Bruno Araújo (PE), o governo descumpriu a lei ao adulterar as contas públicas com objetivo de esconder rombos. “Estamos cumprindo nosso dever de fiscalizar o chefe do Executivo, para que cumpra as leis. Senão outros governantes poderão incorrer na mesma ilegalidade, em nome de se manter no poder”, sustentou.
A discussão entre os deputados também mostra que os votos não obedecerão à lógica de governo versus oposição: deputados de partidos que têm ministros declararam voto favorável ao impedimento da presidente. E legendas que já saíram do governo têm votos contrários.
O líder do PMDB, deputado Leonardo Picciani (RJ), por exemplo, disse ser contrário ao parecer da comissão. Ele ressaltou a gravidade de se tirar um presidente eleito do poder, “motivo de preocupação, de atenção, em que devemos estar atentos ao seu desdobramento”.
Apenas no domingo será revelada a decisão do Plenário da Câmara. A votação está prevista para as 14h.No sábado, o tempo também será dedicado a discursos.
Sessão que discute impeachment na Câmara passa das 18 horas
Mais de 140 parlamentares já discursaram e cada partido tem direito a uma hora na tribuna