O senador Pedro Simon (PMDB-RS) criticou, em entrevista ao programa Guaíba.com, a indicação prévia do deputado Michel Temer para ocupar o cargo de vice na chapa da pré-candidata à Presidência da República Dilma Rousseff (PT). “Essa decisão não tem nenhum significado. Foi um ato de pressão, uma espécie de coação para impor o que a cúpula do PMDB decidiu."
Simon admitiu, entretanto, que dificilmente a situação será revertida na Convenção Nacional do partido, que ocorre nos dias 12 e 13 de junho. “Eu reconheço que a cúpula tem poder e que é bem provável que a votação siga a decisão de hoje”, afirmou. O senador defende uma candidatura própria da legenda, que seria representada pelo ex-governador paranaense Roberto Requião. “Nós do Rio Grande do Sul vamos levar o nome de Requião, mas infelizmente somos minoria.”
Resistência
O senador também falou sobre a expressão do PMDB gaúcho em nível nacional. “Originalmente quem esteve no comando do PMDB foi o Rio Grande do Sul – na época do (ex-deputado) Ulysses (Guimarães), do (ex-senador) Tancredo Neves, do (ex-senador) Teotônio Vilela, da resistência. Quem mandava no PMDB era o Rio Grande do Sul.”
Com a eleição de Fernando Henrique Cardoso, as coisas mudaram. “O Fernando Henrique pegou um grupo do PMDB que se acomodou no governo. Quando o Lula chegou, a mesma gente do Fernando Henrique se manteve no governo. O poder deles é de tal ordem que é quase impossível manter a resistência, mas estamos resistindo.”
Estados
O peemedebista disse que o partido não deverá impor a presença de Dilma em palanques estaduais. “Tanto o Paraná, quanto São Paulo, com o (ex-governador Orestes) Quércia ou Pernambuco com o (senador) Jarbas Vasconcelos devem tomar uma decisão diferente”, defendeu. “Cada Estado vai tomar o seu rumo. É praticamente impossível o PMDB impor uma decisão. A questão deve ficar aberta”, completou.
Simon diz que decisão do PMDB foi um ato de coação
Cúpula do partido indicou o nome do deputado Michel Temer para vice de Dilma Rousseff