Política

“Somos contrários à invasão de nossas terras”, afirma cacique

Cerca de 300 indígenas realizaram protesto no plenário da Câmara

Cerca de 300 indígenas realizaram protesto no plenário da Câmara
Cerca de 300 indígenas realizaram protesto no plenário da Câmara Foto : Gustavo Lima / Câmara dos Deputados / CP
A manifestação de líderes indígenas no início da noite desta terça-feira, quando cerca de 300 índios invadiram o plenário da Câmara dos Deputados, ocorre em um ato contra a proposta que transfere do Executivo para o Congresso a responsabilidade de aprovar e demarcar terras indígenas e parques de preservação ambiental. A proposta é considerada uma invasão pelos caciques presentes em Brasília.

As terras indígenas ocupam 12% do território nacional. Na Amazônia são 20%. Mas ainda há áreas que precisam de reconhecimento oficial a favor dos indígenas, a maioria ocupada por colonos, em regiões do país onde tem havido um grande avanço da agropecuária, como é o caso dos Guarani Kaiowá, cujo caso chamou a atenção no ano passado. A etnia resistiu à desocupação de uma grande fazenda, que dizem estar dentro de suas terras ancestrais e que está sendo demarcada pelo governo.

“Somos contrários à invasão de nossas terras. Nós somos os primeiros habitantes. O (homem) branco está mandando em nós, não gostamos disso. Têm que nos respeitar”, afirmou o cacique Raoni em seu idioma, ostentando um grande disco labial de madeira e um cocar de penas amarelas, diante de deputados e representantes dos indígenas de todo o país.

“Estamos exigindo a revogação destes projetos de lei, que são um trabalho assassino. Onde crescemos e nos criamos é que está o espírito do povo indígena, o espírito da água, o espírito da floresta, não deixaremos estas terras”, acrescentou Oriel Guarani Kaiowá.

“Tomam decisões que põem em risco nossos povos e a mãe terra; estão enterrando nossos direitos, queremos ser consultados”, lamentou a indígena Taurepang Telma Marques, do território Raposa Serra do Sol, no Norte da Amazônia, reconhecida aos indígenas, e que os colonos tiveram que deixar há exatos oito anos.

Proposta não é consenso na Câmara

“Entregar o controle da definição de terras indígenas a um Congresso com uma poderosa bancada do setor agropecuário é um perigo. É uma medida da bancada agropecuária para retirar o poder do Executivo sobre esta área”, disse à agência de notícias AFP o deputado Máriton de Holanda (PT-RO), coordenador da Frente Parlamentar de Defesa dos Povos Indígenas.

Outra reforma em estudo no Parlamento autorizaria criar concessões a produtores agropecuários dentro de terras indígenas. As autoridades pretendem, ainda, regulamentar a exploração de minério em terras indígenas e a advocacia geral da União aprovou recentemente uma medida que proíbe ampliar terras indígenas reconhecidas no passado.


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