Responsáveis pela Operação Lava Jato, que investigam um esquema de corrupção alimentado por algumas das maiores empreiteiras do País e por diretorias da Petrobras, reuniram indícios de que os investigados conseguiram saber com antecedência sobre a execução de buscas e apreensões em suas casas e empresas.
O delegado de Polícia Federal Márcio Adriano Anselmo, chefe da Lava Jato, anexou terça-feira ao processo decorrente da investigação um documento em que registra sua preocupação com vazamentos das informações que podem possibilitar a fuga dos investigados.
Na última sexta-feira, quando a PF cumpriu mandados de busca e de prisão da sétima etapa da Lava Jato, dois alvos não puderam ser encontrados: o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e Adarico Negromonte, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte.
Anselmo relatou ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, que os policiais federais foram surpreendidos ao serem recepcionados, na madrugada de sexta-feira, por três advogados na sede da empreiteira OAS. Ele também anexou ao documento o auto circunstanciado escrito à mão pelos policiais que estiveram na OAS.
"Ao chegar à recepção da portaria da entrada da empresa, a equipe policial já foi surpreendida pela presença de três advogados", informa o relato. Os policiais registraram que perguntaram ao trio o que faziam ali. "Afirmaram que é de costume chegar cedo", foi a resposta que os policiais dizem ter recebido.
A reportagem não conseguiu contato com os advogados citados: Donadeli Fortes de Albuquerque, Leandro Pachani e Luiz Gustavo de Oliveira Santos. Por meio do telefone associado ao seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil, a reportagem deixou recado com o pai de Oliveira Santos, mas não obteve resposta.
A cópia do auto circunstanciado anexada ao processo permite saber ainda que o grupo policial se disse surpreendido também pela presença de um "repórter tirando fotos" que, ao final da busca, foi identificado por uma das testemunhas da cena como fotógrafo do jornal "Folha de São Paulo". "Indagado aos advogados se conheciam o mesmo, afirmaram que não", afirma o relato policial.
Outro indício de que houve vazamento do planejamento da sétima fase da Lava Jato, segundo o delegado Márcio Anselmo, é a viagem realizada pelo presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, que reside em São Paulo, para a cidade de Salvador na noite de quinta-feira, véspera das buscas e apreensões. "Assim, os elementos indicam que teria ocorrido o vazamento das diligências a serem empreendidas nos locais de busca", afirma o delegado.
Suspeitos souberam com antecedência da operação, indica PF
Policiais federais foram surpreendidos na madrugada por três advogados na sede da empreiteira OAS