A busca por soluções aos problemas causados pelas enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul foi o tema da tradicional reunião-almoço “Tá na Mesa”, nesta quarta-feira, na sede da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), no Centro Histórico de Porto Alegre. Os convidados foram cinco deputados federais, sendo eles Alceu Moreira (MDB), Marcel Van Hattem (Novo), Pedro Westphalen (PP), Pompeu de Mattos (PDT) e Tenente Coronel Zucco (PL).
Sob o tema “Desafios dos gaúchos para superação da catástrofe”, o parlamentares versaram sobre a proposta do governador Eduardo Leite sobre reestruturação do funcionalismo público gaúcho e o auxílio do governo federal para a reconstrução do estado. Eles também afirmaram haver falta de diálogo com interlocutores do presidente Luís Inácio Lula da Silva, alertando ainda que há falsa impressão no país de que os efeitos da enchente já foram superados.
"O sentimento de solidariedade está passando. Há um sentimento nacional que o Rio Grande do Sul resolveu os seus problemas, e isso não é verdade. Só o governo federal tem capacidade para resolver essas questões”, alertou Pedro Westphalen.
Em relação ao projeto de reforma administrativa proposto pelo governo do RS, os parlamentares foram unânimes em reconhecer a relevância sobre a discussão da proposta. Entretanto, em uníssono, eles classificaram o momento como “inoportuno” para o debate e pediram foco no auxílio a vítimas da enchente.
"Sempre que pudermos motivar os servidores públicos, isso deve ocorrer. Ocorre que precisamos saber qual o impacto que disso, na medida em que temos que priorizar ações relacionadas ao dilúvio que atingiu o RS. Um governante deve entender o todo e, na minha visão, a prioridade é atender as pessoas que perderam tudo”, afirmou Zucco.
"Acho que os servidores públicos precisam e merecem receber reajuste, mas tudo tem hora. Se fizermos isso, podemos passar a imagem que está tudo bem no estado. Esse sinal não pode ser dado, é algo que diminui nossa capacidade. O Rio Grande do Sul precisa da União agora. Temos que receber o que é nosso", disse Pompeu de Mattos.
Os deputados também alertaram para falta de suporte federal, apontando que dos R$ 92 bilhões prometidos, apenas 19% foram efetivamente liberados. Somado a isso, o grupo alertou para dificuldades no acesso dos créditos e demandou dinheiro a fundo perdido.
"Os recursos não chegaram, e a verba que chegou é insuficiente. Em uma catástrofe, o governo federal não pode fazer um ciclo de giro financeiro com base em um sistema normal. Precisamos de um comitê integrado, que seja capaz de fazer análise por CPF de quem precisa do crédito”, declarou Alceu Moreira.
Ainda no encontro, os deputados chamaram atenção para dificuldades em dialogar com o ministro extraordinário de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta (PT). O representante do governo Lula chegou a ser adjetivado como “irônico” e “áspero” pelos deputados federais.
"Uma comissão de quase 400 prefeitos foi para Brasília, com passagens pagas por meio de dinheiro público, mas o Pimenta não tinha horário na agenda para recebê-los. No dia seguinte, ele partiu para o RS. Inclusive, vejo como um problema a presença dele no estado”, declarou Marcel Van Hattem.