Política

Tarso avaliará conduta da Brigada Militar em ação em Porto Alegre

Ataque a mascote da Copa no Centro gerou conflito entre policiais e manifestantes

Tarso afirma que vai avaliar relatório da Ouvidoria do Estado sobre ação da Brigada Militar no confronto no Largo Glênio Peres
Tarso afirma que vai avaliar relatório da Ouvidoria do Estado sobre ação da Brigada Militar no confronto no Largo Glênio Peres Foto : Vinícius Roratto / CP Memória
O governador Tarso Genro disse nesta quinta-feira que vai analisar o relatório produzido pela Ouvidoria da Segurança Pública sobre ação da Brigada Militar durante protesto no Largo Glênio Peres, no Centro de Porto Alegre, no mês passado, para avaliar qual medida deve ser tomada. Conforme a ouvidora Patrícia Couto, houve excesso da autoridade policial. “Há muita verossimilhança que identifica o uso excessivo da força. Quando o Estado e seus agentes extrapolam o uso excessivo da força, ocorre a violação de direitos humanos, com certeza”, afirmou na quarta-feira.

De acordo com o governador, o relatório pode resultar em uma ação do Executivo para evitar que episódios como o ocorrido não se repitam. “A Ouvidoria é uma estrutura de Estado e presta contas ao governador. Vou examinar o relatório e vamos verificar. A finalidade dele não é apenas ir para os inquéritos que estão em andamento, na Brigada Militar e Polícia Civil, mas para que o governo retire dali modificações de conduta para que coisas como esta não aconteçam mais”, disse Tarso.

Na ocasião, manifestantes protestavam contra a cedência de espaços públicos a multinacionais. Alguns atacaram o boneco símbolo da Copa do Mundo, murchando o tatu inflável de sete metros de altura instalado no local. A Brigada Militar revidou com gás de efeito moral, balas de borracha, gás lacrimogênio, além de cassetetes. Diversas pessoas ficaram feridas. O Ato em Defesa da Alegria (ADA) foi organizado via internet por um grupo que tinha a intenção de protestar contra o cercamento do Auditório Araújo Vianna, no Parque da Redenção, e contra as parcerias público-privadas (PPPs) firmadas pela Prefeitura de Porto Alegre, incluindo a que permitiu instalar chafarizes no Largo Glênio Peres.

O Comando do 9º Batalhão de Polícia Militar (9ºBPM), que é responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM) interno, não quis se manifestar sobre o relatório da Ouvidoria, nem sobre a declaração do governador. O IPM envolve cerca de 100 militares e também manifestantes. O órgão ouviu 29 depoimentos e recebeu e-mails com dezenas de denúncias de violência policial, porém, não tomou o testemunho dos PMs. O Comando do 9º BPM disse que, mesmo que fossem convocados, os policiais não deporiam, pois há o IPM, que é um mecanismo interno de apuração da Brigada Militar.

Com informações do repórter Jimmy Azevedo

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