Tarso disse que não descartou totalmente o projeto, mas que ainda precisa analisar se as propostas estão de acordo com as pretensões do governo. “Nós estamos decidindo a partir do governo, não pela ótica da empresa, que quer pregar o negócio. O dever da empresa é apresentar uma proposta que seja lucrativa pra ela. Mas é um dever do poder público examinar certas margens de lucratividade e se as propostas também contemplam o interesse público,” explicou.
Ainda de acordo com Tarso, entre os pontos do estudo que são questionados pelo Executivo, estão as desapropriações. “A avaliação preliminar feita sobre as desapropriações não nos parece adequada. Isso não é má fé da empresa. A Odebrecht fez uma proposta supondo que teríamos que gastar R$ 156 milhões. Pela experiência que temos, nós achamos que é bem mais que isso”, esclareceu. Por essa razão, Tarso determinou o aprofundamento de estudos técnicos para esclarecer as dúvidas e lacunas que identificou no projeto. “Em função desse material preliminar, eu determinei que fizéssemos uma contratação de uma consultoria para reavaliar o valor das desapropriações”, justificou.
Outra questão que barra a aprovação do projeto envolve a cláusula apresentada pela Odebrecht sobre a arrecadação do pedágio na ERS 010. “Haverá um desvio que certamente a população que utilizaria a ERS 010 faria pela BR 116, deixando de usar a ERS, porque a BR 116 não é pedagiada. A movimentação poderia cair na ERS 010 e estaria firmado que a obrigação do Estado é complementar os valores que não alcançassem a movimentação prevista para a lucratividade da empresa”, explicou.
Após anunciar a saída da Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra), Beto Albuquerque (PSB) disse em entrevista à Rádio Guaíba nessa terça-feira que discorda da forma como o Estado está conduzindo o projeto de construção da ERS 010. “Acho que essas dúvidas poderiam ser resolvidas no edital de licitação. Uma parceria público-privada existe para que o Estado não perca tempo em fazer projetos, para ganhar tempo em fazer a obra. É uma divergência técnica e eu respeito”, justificou o socialista. Ele confirmou ainda que divergências políticas motivaram a decisão de abandonar a pasta. Beto Albuquerque reassumirá seu mandato na Câmara dos Deputados até o final de novembro.