Política

Tarso Genro projeta uma "enxurrada de obras no Estado” em 2013

Governador quer reformar e construir 1,1 mil escolas a partir do ano que vem

Governador Tarso Genro avaliou o desempenho do governo e projetou ações para os próximos anos
Governador Tarso Genro avaliou o desempenho do governo e projetou ações para os próximos anos Foto : Paulo Nunes
Prestes a chegar à metade do mandato de quatro anos, o governador do Estado avaliou nesta terça-feira o desempenho até aqui e projetou ações para 2013. Em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, o chefe do Executivo gaúcho fez um balanço dos primeiros anos da gestão e apresentou um cronograma de trabalho que pretende concluir até 2014. “O primeiro ano foi de ajustes. O segundo ano foi de planejamento. E a partir do ano que vem teremos uma enxurrada de obras no Estado”, resumiu Tarso.

O governador disse que tem se reunido com membros da base aliada para discutir o orçamento para o próximo ano e planejar o que será feito. Tarso afirmou que sobram recursos para realizar investimentos, mas questões técnicas e burocráticas impedem que eles saiam do papel. “Recursos para investimentos sobram. Nós temos todos os recursos para investir. As nossas contrapartidas estão garantidas. O problema é, na verdade, uma herança contratual. Nós estamos fazendo um empenho brutal para desobstruir essas obras”, explicou o governador.

Como exemplo, o petista citou a duplicação da RS 118 e a construção e reforma de 1,1 mil escolas em todo o Estado, trabalho que deve começar no ano que vem. “Só em relação a obras de escolas, nós vamos reformar e reconstruir 1,1 mil escolas. Na metade do ano que vem, elas estarão em andamento. Licitado o projeto, falta apenas licitar a obra”, afirmou. “A obra da RS 118 é prioritária. Todos os dias nós estamos trabalhando para desobstruir os problemas. Aquela obra é fundamental para a circulação da região Metropolitana”, acrescentou.

Magistério e o pagamento do piso

A relação do governo estadual com o sindicato dos professores - Cpers - ficou ainda mais estremecida depois das discussões envolvendo o pagamento do piso. A categoria, inclusive, já marcou para dezembro uma assembleia geral para analisar uma possível paralisação no fim do ano. Ao falar do assunto, o governador é taxativo. “A relação (com o Cpers) é sempre tensa. As demandas do Cpers não são injustas, mas algumas delas tem que ser implementadas no tempo e outras não podem ser aplicadas de maneira mecânica”, classificou.

De um lado, o Cpers critica Tarso pelo não pagamento do piso e defende que isso é um “ataque aos profissionais”. Por outro, o governador afirma que não há como pagar o piso de acordo com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). “O piso pelo Fundeb ninguém aplica. Ele é impossível. A própria Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação está propondo um acordo para reduzir para metade o piso do Fundeb”, reafirmou.

Tarso Genroe outros cinco chefes de estado protocolaram uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o piso nacional do Magistério no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, Tarso afirmou que não moveu uma ação contra o piso em si, mas contra o cálculo do reajuste concedido aos professores. Ele defende o índice de inflação para conceder aumento. “A questão salarial estava comprimida há muito tempo. Estamos recuperando até 2014 com aumento real de 76,4%. Eu duvido que algum governador tenha dado esse aumento em algum tempo durante os quatro anos de governo em toda a história do Rio Grande do Sul. Se tem, eu quero saber, para admirá-lo”, ponderou.

Segurança pública

Para reduzir os índices de criminalidade no Estado, o governador elencou uma série de programas que o governo tem trabalhado, principalmente, quando se trata do programa Territórios da Paz. “Estamos trabalhando com a Polícia Civil e a Brigada Militar na implementação de 20 Territórios da Paz. Como as UPPs no Rio, que tive a honra de visitar recentemente. Essas unidades têm dado uma resposta como no Guajuviras, em Canoas, por exemplo. São quatro Territórios da Paz que estão em funcionamento, e queremos chegar a 20. Isso vai ter um efeito muito importante”, exemplificou.

Além disso, Tarso argumentou que realizou inúmeras tratativas nos últimos meses para a recomposição salarial dos policiais da Brigada Militar e Polícia Civil, como forma de valorizar o trabalho das categorias. Além disso, segundo Tarso, haverá novos concursos para reforçar as corporações a partir de 2014. “Nós fizemos uma pacificação das categorias, com recomposição salarial. Ainda têm demandas e sempre terá. Mas é incomparável o ambiente que se criou com essas correções. Nós abrimos concurso e vamos abrir de novo para Brigada Militar e Polícia Civil, para reforçar essas categorias”.

Saúde

Sobre a aplicação de 12% na saúde já em 2013, Tarso disse que a iniciativa visa cumprir um dos programas do governo. Ele afirma que estima que o crescimento do Estado no próximo ano pode chegar a 5%, o que contribuirá para que se alance esse objetivo. “Os recursos que temos para saúde dá pra fazer uma revolução no Estado. Nós somos repassadores e organizadores do sistema e 90% das ações são das prefeituras, que estão se empenhando para isso”.

Mensalão


O julgamento mais longo da história do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a principal crise do governo Lula, que ficou conhecida como mensalão, também foi assunto da entrevista. Questionado sobre o que achou do resultado da análise dos ministros da Corte, Tarso, que é advogado, afirmou que acompanhou com “atenção política e jurídica” o julgamento. Porém, ele acredita que houve pré-julgamento. “O processo concedeu durante o processo eleitoral e como houve campanha de mídia muito forte pré-julgando todos os réus, os principais réus já entraram condenados no processo. Eu disse até que o julgamento seria uma mera formalidade, os réus já estavam condenados. O ambiente psicológico e político que se criou no País tornava impossível que se absolvesse José Dirceu ou José Genoino, por exemplo. Isso efetivamente ocorreu”.

O governador gaúcho evitou opinar sobre a condenação do núcleo político do PT. “Se eles mereciam ou não, eu não tenho condições de saber. Sempre estive longe desses fatos. E não conheço o processo. Tenho informações paralelas de advogados, do Ministério Público, mas não manuseei o processo”.

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