Política

Tarso mostra agenda positiva e impõe seu ritmo ao governo

Governador abusa dos termos "concertação" e "diálogo" para lembrar eleição no primeiro turno e costura da maioria na Assembleia

Tarso mostra agenda positiva e impõe seu ritmo ao governo
Tarso mostra agenda positiva e impõe seu ritmo ao governo Foto : Camila Domingues / CP Memória
Em pouco mais de 20 dias de gestão, o governador Tarso Genro (PT) já mostra seu estilo de governar. Seja nas mudanças promovidas na estrutura de governo ou seja na ocupação de espaços (físicos ou de poder), nas suas manifestações públicas ou mesmo na postura frente a ações da administração anterior, Tarso não esconde seu esforço na promoção de uma "agenda positiva". Abusa dos termos "concertação" e "diálogo" para lembrar que conseguiu o feito inédito de se eleger no primeiro turno e, em seguida, costurou maioria na Assembleia, além de cavar apoios esporádicos na oposição. E lembra com frequência sua atuação e sua capacidade de negociação como ministro de diferentes pastas nos oito anos de gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A agenda positiva vem dando uma exposição considerável. Nos últimos dez dias o governo ficou nas manchetes por ter divulgado números que confrontam o déficit zero nas contas do Estado; pelo governador ter viajado ao Rio de Janeiro e a São Paulo para obter recursos financeiros; por ter divulgado a composição do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social; pelas declarações de Tarso na imprensa internacional sobre o caso Battisti e pela negociação, com o Ministério da Justiça, do retorno do RS ao Pronasci.

Na agenda, só não obteve êxito o encontro que Tarso teria com o governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, para onde, devido a catástrofe provocada pelas chuvas, estão voltadas todas as atenções. Cabral cancelou o almoço.

"Sem dúvida, o governo tem a marca do próprio Tarso, ele é muito ativo e criativo. E também muito centralizador, é ele quem formula. O Tarso tem clara essa coisa de ocupar espaço e uma aspiração legítima de outros cargos nacionais, que continuam sendo, para ele, um projeto. Isso pode ser ruim se ele ficar obcecado pela ideia, mas pode ser muito bom para o Estado, se equilibrar", diz o cientista político e professor de pós-graduação em Ciência Política da Ufrgs, Benedito Tadeu Cesar.

Núcleo palaciano concentra decisões

Ao mesmo tempo em que assegura que o Rio Grande do Sul está em um novo momento político, no qual a "conflitividade" deve ser regulada, louva os mecanismos de "participação cidadã" e garante que os grandes temas do Estado passarão pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o governador Tarso Genro já desperta algumas manifestações entre opositores, que desconfiam da agenda positiva e de alguns itens do seu discurso.

Tarso teria importado modelos de debate ou de discussão que lembram algumas instâncias internas do PT (além do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, há a Coordenação de Assessoramento Especial do Governador, com status de secretaria, o Conselho Político e o Núcleo de Gestão da Coordenação de Governo). "É tanto conselho que a gente até se atrapalha", admite um dos secretário de Estado.

O governador também concentrou o núcleo decisório do governo no Palácio Piratini, parou de despachar no gabinete e optou por montar um escritório na ala residencial, onde o acesso da imprensa é raro, o que permite ao próprio governador, e a secretários, entrarem e saírem por um acesso secundário, sem serem vistos.

No discurso, Tarso propôs tanto a composição de uma pauta comum com a mídia (que alguns opositores apontam como tentativa de regulação), como lançou a ideia de um "pacto" entre os poderes (além do Executivo, o Legislativo e o Judiciário), de forma a que os três, também, estabeleçam relações para uma pauta comum.

Em suas diversas manifestações e discursos, o governador Tarso Genro já criticou até mesmo o Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o sistema financeiro e alguns setores e posturas da imprensa.


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