A agenda positiva vem dando uma exposição considerável. Nos últimos dez dias o governo ficou nas manchetes por ter divulgado números que confrontam o déficit zero nas contas do Estado; pelo governador ter viajado ao Rio de Janeiro e a São Paulo para obter recursos financeiros; por ter divulgado a composição do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social; pelas declarações de Tarso na imprensa internacional sobre o caso Battisti e pela negociação, com o Ministério da Justiça, do retorno do RS ao Pronasci.
Na agenda, só não obteve êxito o encontro que Tarso teria com o governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, para onde, devido a catástrofe provocada pelas chuvas, estão voltadas todas as atenções. Cabral cancelou o almoço.
"Sem dúvida, o governo tem a marca do próprio Tarso, ele é muito ativo e criativo. E também muito centralizador, é ele quem formula. O Tarso tem clara essa coisa de ocupar espaço e uma aspiração legítima de outros cargos nacionais, que continuam sendo, para ele, um projeto. Isso pode ser ruim se ele ficar obcecado pela ideia, mas pode ser muito bom para o Estado, se equilibrar", diz o cientista político e professor de pós-graduação em Ciência Política da Ufrgs, Benedito Tadeu Cesar.
Núcleo palaciano concentra decisões
Ao mesmo tempo em que assegura que o Rio Grande do Sul está em um novo momento político, no qual a "conflitividade" deve ser regulada, louva os mecanismos de "participação cidadã" e garante que os grandes temas do Estado passarão pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o governador Tarso Genro já desperta algumas manifestações entre opositores, que desconfiam da agenda positiva e de alguns itens do seu discurso.
Tarso teria importado modelos de debate ou de discussão que lembram algumas instâncias internas do PT (além do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, há a Coordenação de Assessoramento Especial do Governador, com status de secretaria, o Conselho Político e o Núcleo de Gestão da Coordenação de Governo). "É tanto conselho que a gente até se atrapalha", admite um dos secretário de Estado.
O governador também concentrou o núcleo decisório do governo no Palácio Piratini, parou de despachar no gabinete e optou por montar um escritório na ala residencial, onde o acesso da imprensa é raro, o que permite ao próprio governador, e a secretários, entrarem e saírem por um acesso secundário, sem serem vistos.
No discurso, Tarso propôs tanto a composição de uma pauta comum com a mídia (que alguns opositores apontam como tentativa de regulação), como lançou a ideia de um "pacto" entre os poderes (além do Executivo, o Legislativo e o Judiciário), de forma a que os três, também, estabeleçam relações para uma pauta comum.
Em suas diversas manifestações e discursos, o governador Tarso Genro já criticou até mesmo o Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o sistema financeiro e alguns setores e posturas da imprensa.