"Não é pelo fato de uma pessoa pertencer a um partido político que ela não possa cometer um delito comum, isso não isenta ninguém; e o fato da pessoa pertencer a um partido também não deve ser um instrumento para que se faça uma sindicância com finalidade política", destacou Tarso.
A apuração policial culminou no cumprimento de mandados de busca e apreensão na casa de ativistas do Bloco de Lutas Pelo Transporte Público que também são membros dos partidos, no início desta semana. Conforme Tarso, o objetivo do governo é verificar se os dois militantes citados no inquérito foram incluídos pela sua postura política ou por algum delito.
"Se foram mencionados devido a sua militância, o inquérito está completamente equivocado. Se não foi isso, se eles realmente cometeram algum delito e há prova, eles devem responder como qualquer cidadão comum. Nós repudiamos qualquer ação policial que tenha finalidade política, e também qualquer acusação sobre o nosso governo em relação a isso", sustentou.
O presidente do PSol, Pedro Ruas, reiterou ao governador a posição do partido em relação à ação policial. Ainda ontem e conforme a nota entregue ao Executivo, foi pedido o arquivamento imediato do inquérito policial, afirmando que os militantes não participaram de nenhuma depredação, mas que apenas organizam movimentos de ruas e protestaram por direitos.
Ontem, os líderes do PSol concederam uma entrevista coletiva onde pediram também a saída do secretário da Segurança Pública do Estado, Airton Michels. Tarso, porém, ressaltou que o inquérito policial é legítimo e a polícia não define indícios definitivos, mas sim suficientes para a investigação. "Este é um Estado democrático de direito. As ações que a polícia realizou em junho aconteceram dentro das normas legais. O inquérito foi realizado dentro da formalidade", disse.
Tarso reforçou também que não houve intervenção do governo para direcionar o inquérito, que acontece a partir de delito comum. "É inquérito contra pessoas, não relacionados com partidos políticos. Não houve, não haverá e não vamos tolerar qualquer tipo de intervenção política neste inquérito policial", afirmou o governador. Ele defendeu ainda a necessidade de diferenciar as ações típicas de militância das de depredação.
A corporação cumpriu mandados de busca e apreensão nessa terça-feira, sob a alegação de formação de quadrilha nos protestos dos últimos meses. Em função da polêmica gerada, o chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Ranolfo Vieira Júnior, garantiu em entrevista à Rádio Guaíba nessa quarta-feira que a ação não teve caráter político. “A Polícia Civil é de estado, não de governo, ou de agremiações partidárias”, destacou.