Política

Tarso promete fiscalizar o Secretariado

Futuro governador diz que acompanhará pessoalmente os secretários e que substituirá os que tiverem mau desempenho

Com a tranquilidade de quem acabou de fechar o chamado "governo de coalizão", após semanas de negociações junto ao PDT e a outros partidos aliados, o governador eleito Tarso Genro (PT) recebeu a reportagem do Correio do Povo nessa quinta-feira, em seu escritório particular, no bairro Moinhos de Vento, para fazer um balanço das movimentações políticas e projetar ações. Nem mesmo as suscetibilidades com o PSB, que causaram desconforto no decorrer da semana por os socialistas terem se considerado preteridos na formação do Secretariado, foram capazes de alterar o humor do petista, que viaja hoje para a Argentina para uma semana de férias.

Mas o discurso mais afável dá lugar à rigidez quando o foco se transfere para os rumos do futuro governo. Tarso revelou que a sua gestão fará um convênio com a Fundação Getúlio Vargas, que terá a responsabilidade de fazer o controle e estabelecer critérios de avaliação do desempenho do governo. Em parceria com o secretário-geral de Governo, Estilac Xavier (PT), Tarso promete fiscalizar de perto o primeiro escalão. "Os secretários que não colaborarem e não estiverem integrados ao conceito de trabalho e de transversalidade serão mudados", avisou Tarso.

Estilac acompanhará a evolução dos projetos na Sala de Gestão, conceito de administração centralizada desenvolvido pelo governador Eduardo Campos (PSB), em Pernambuco, e que será instalado no Piratini. Estilac se reportará a Tarso para repassar relatórios que permitirão avaliação detalhada da performance de cada secretário.

O governador eleito também falou das parcerias público-privadas (PPP), pilar de três obras que estão em fase de assinatura de contrato na reta final do governo Yeda Crusius (PSDB): Cais Mauá, RS 010 e Complexo Prisional de Canoas. O petista disse que é favorável às PPPs e assegurou que irá executar os projetos que estiverem "juridicamente perfeitos". "Se a Antaq der o sinal verde, está resolvido. O projeto do Cais é bom. A empresa que o fez é responsável pelo Porto de Barcelona, do qual eu sou admirador", afirmou.

A objeção emergiu no caso do Complexo Prisional de Canoas. Ele concorda com as PPPs para erguer os prédios, que depois seriam alugados ao Estado, mas não admite que a gestão seja do setor privado. "Presídio não é lugar para obter lucro. Considero inconstitucional que o Estado delegue para o setor privado a execução de uma pena."

Férias para ler, caminhar e ir ao cinema

Conhecido pelas relações diplomáticas internacionais que estabeleceu com diversos países durante os seis anos em que foi prefeito de Porto Alegre, o governador eleito pretende aproveitar as belezas de Buenos Aires, na Argentina, para se desligar por sete dias da rotina pós-eleitoral. Além de frequentar restaurantes da capital portenha, Tarso já definiu as prioridades da viagem. "Vou fazer as coisas que mais gosto. Caminhar, ler e ir ao cinema", disse.