Tarso, contudo, pediu para os policiais não “perderem a cabeça”, se referindo aos protestos com barreiras realizados desde o início do mês, com uso de pneus e fogo, em estradas. Segundo o governador, isso tira a legitimidade da manifestação. O chefe do Executivo gaúcho informou que pedirá para a Polícia Federal investigar os atos. Para Tarso, se for comprovada a participação de integrantes da Brigada Militar, será uma mancha na história da corporação.
Já passa de dez o número de protestos por melhores salários para a Brigada Militar (BM), no Estado, neste mês. Somente nesta sexta-feira, foram quatro registros. Um deles ocorreu em Gravataí, no km 18 da ERS 118, próximo à entrada para o Campus da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Em seguida, pneus foram queimados na avenida Getúlio Vargas, em frente à prefeitura de Alvorada (vídeo abaixo). A terceira barricada ocorreu no km 26 da BR 392, em Rio Grande, na zona Sul do Estado. A Polícia Rodoviária Federal informou que houve bloqueio total da pista por uma hora. Por volta das 5h, manifestantes atearam fogo a pneus no km 107 da BR 158, em Palmeira das Missões.
O secretário da Segurança Pública, Airton Michels, manifestou perplexidade com os protestos dos pneus queimados por parte de brigadianos nos últimos dias. Segundo ele, as negociações para a melhoria salarial da categoria estão sendo realizadas há quase um mês com as entidades de classe e, por isso, não haveria sentido este tipo de manifestação radical. Michels assegura que o governo está empenhado em resolver o problema dos baixos salários dos policiais militares ao longo dos quatro anos de sua gestão, apresentando uma proposta de elevação gradual dos vencimentos neste período. Segundo ele, este tipo de protesto é resultante de uma “ação criminosa”. Por conta disso, a autoria está sendo apurada.

Passo Fundo foi uma das cidades que registraram protestos com queima de pneus I Foto: Marcos Thiago / Especial / CP