A ideia é fazer com que o lugar sirva como ponto de encontro entre os povos vizinhos. Para isso, o governo uruguaio solicitou um local ao Piratini. “É incompreensível que não tenhamos um centro cultural entre Brasil e Uruguai em Porto Alegre”, comentou o vice-chanceler. De acordo com ele, apesar das boas relações com o Brasil, a integração entre Uruguai e Rio Grande do Sul está paralisada. “Hoje há uma vontade muito grande de produzir fenômenos de integração e diálogo político”, afirmou.
Um dos primeiros frutos do diálogo entre os dois governos é a exibição do filme uruguaio “Mal Día Para Pescar”, que na Casa de Cultura Mario Quintana. A exibição é realizada através de parceria entre a Secretaria de Cultura do RS e o Instituto de Cinema e Audiovisual do Uruguai (Icau). O intercâmbio cultural conta ainda com a realização da 1ª Mostra de Filmes Contemporâneos Uruguaios e do 1º Seminário de Produção e Cooperação Cinematográfica no Mercosul, que ocorrem em setembro na Capital.
No âmbito política, entre as áreas que necessitam de cooperação, segundo Conde, estão a segurança da fronteira de 1,1 mil quilômetros, em especial no que diz respeito ao tráfico. “O Uruguai não é um país produtor de drogas, mas é um país onde há trânsito de drogas”, salientou. Segundo ele, a cooperação entre autoridades dos dois países para evitar a prática existe. “Temos consciência de que o crime organizado é transfronteiriço e só podemos enfrentá-lo com êxito se houver uma cooperação de ambos os Estados”, ressaltou.
“O principal avanço foi a consolidação de uma agenda de trabalho em conjunto”, avaliou o assessor de Cooperação e Relações Internacionais do governo do RS, Tarson Nuñez. De acordo com ele, Uruguai e o RS podem unir esforços para fortalecer a produção de leite, carne e arroz, deixando de lado a competitividade entre ambos. “Isso pode ser muito importante para a nossa Metade Sul, que é muito prejudicada pela dinâmica atual”, disse.