Política

TCE audita mais contratos do Daer

Investigação especial foi aberta em fevereiro para investigar atos supostamente irregulares na gestão 2010

Paralelamente às investigações sobre os controladores eletrônicos de velocidade, outra vertente da administração do Daer está sob a mira do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Desde fevereiro, o órgão de controle faz uma auditoria especial nos contratos e convênios firmados em 2010 com empreiteiras e municípios, sobretudo no último quadrimestre do ano, para verificar supostas irregularidades em ordens de início de obras rodoviárias.

Os indícios levantados até o momento pela Supervisão de Auditoria da Área Estadual, vinculada à direção de Controle e Fiscalização do TCE, apontam a possível ausência de dotação orçamentária para execução dos serviços, o comprometimento de recursos futuros e a existência de erros administrativos passíveis de multas, como a precariedade dos projetos de engenharia e a ausência de licenças ambientais para a realização das obras. Os cinco servidores do TCE que integram a auditoria especial analisam mais de cem convênios, que somam valor aproximado de R$ 200 milhões, e 30 contratos de construção de rodovias, que totalizam R$ 470 milhões.

A investigação se estenderá até maio. Caso confirmadas as irregularidades, é provável que seja solicitada aplicação de multa ao ex-diretor-presidente do Daer Vicente Brito Pereira, responsável direto pela assinatura dos contratos e convênios. A ex-governadora Yeda Crusius poderá ser citada dependendo da gravidade dos fatos apurados pela investigação do TCE.

Integrantes da Supervisão de Auditoria da Área Estadual dizem que o relatório final poderá pedir a condenação dos atos de Brito e, possivelmente, de Yeda, baseado na Lei de Responsabilidade Fiscal. Serão apontados como provas a ausência de dotação orçamentária, o comprometimento de recursos da atual gestão do governo estadual, as inconsistências nos projetos de engenharia e a inexistência de licenças ambientais. "O enquadramento na lei é um entendimento inédito. Ela não vinha sendo utilizada na área estadual. Esperamos demonstrar e comprovar, oferecendo elementos para convencer o relator sobre as irregularidades", disse um servidor técnico do TCE. A análise do caso será distribuída na Corte somente após a finalização da auditoria especial, quando será conhecido o relator da matéria.

A investigação sobre os contratos e convênios firmados no final da gestão de Yeda foi determinada pelo presidente do TCE, João Osório. Contudo, a auditoria também é fruto da pressão política exercida pelo governo Tarso Genro ainda em 2010. Dias antes da posse, o secretário de Infraestrutura, Beto Albuquerque, confirmou que seria feito um pedido de análise dos contratos ao TCE. Beto, na ocasião, reclamou que a nova gestão herdaria obras prometidas a prefeitos sem dotação orçamentária.


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