Política

TCU aprova contas de Bolsonaro em 2022 apesar de distorções de R$ 1,28 trilhão

Tribunal identificou inconsistências no balanço patrimonial do ano passado, mas aprovou contas com ressalvas

Prefeito de Nova York classificou Jair Bolsonaro de "homem perigoso"
Prefeito de Nova York classificou Jair Bolsonaro de "homem perigoso" Foto : Marcos Corrêa / Palácio do Planalto / Divulgação / CP

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou com ressalvas as contas do último ano do mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Por unanimidade, o plenário da Corte aceitou o balanço patrimonial do governo referente a 2022. Contudo, o órgão identificou distorções no valor de R$ 1,28 trilhão.

Relator do processo, o ministro Jorge Oliveira identificou as seguintes inconsistências na prestação de contas:

• R$ 556,9 bilhões: “reconhecimento indevido de ativos e respectivos ajustes para perdas”;
• R$ 383,8 bilhões: “reconhecimento indevido de receitas com impostos, ganhos com a reavaliação de ativos e reversão de provisões e de ajustes para perdas”;
• R$ 151,4 bilhões: “reconhecimento indevido de despesas com ajustes para perdas, benefícios, provisões e com o não reconhecimento de provisões, desincorporação de ativos e outras variações patrimoniais diminutivas”;
• R$ 104,6 bilhões: “obrigações com a Previdência Social e com os estados não reconhecidas”;
• R$ 88,6 bilhões: “ajustes e reservas não conhecidos no patrimônio líquido da União”.

Além disso, o ministro identificou o descumprimento de requisitos para a concessão ou ampliação de benefícios tributários que decorram de renúncia de receita, como projeção do impacto orçamentário-financeiro das medidas.

Oliveira também apontou impropriedades como a ausência de justificativa para a não execução do percentual mínimo de emendas de bancada estadual insuficiência de informações relativas às metas operacionais da administração pública federal nas diretrizes orçamentárias do exercício de 2022 e insuficiência de informações relativas aos créditos da dívida ativa de responsabilidade de autarquias e fundações públicas federais.

Apesar dos problemas no balanço patrimonial da União, o ministro disse que eles não comprometeram a gestão das contas públicas e que a prestação deveria ser aprovada com ressalvas. Segundo ele, as irregularidades "não apresentam materialidade e gravidade suficientes para embasar opinião adversa sobre a gestão dos orçamentos da União e das demais operações realizadas com recursos públicos federais, em especial quanto ao que estabelece a lei orçamentária anual".

"A totalidade da gestão aqui examinada não ficou comprometida, tanto em relação à execução dos orçamentos quanto no que se refere à opinião a respeito do Balanço Geral da União", destacou Oliveira. Acompanharam o entendimento dele os ministros Walton Alencar, Benjamim Zymler, Augusto Nardes, Antonio Anastasia e Jhonathan de Jesus e o ministro substituto Augusto Sherman. O relatório final do TCU será encaminhado ao Congresso Nacional, que é responsável por julgar a prestação de contas do presidente da República e dar a palavra final.