O presidente Michel Temer descartou, na manhã de quinta-feira, renunciar ao cargo e disse que não vai demitir o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, envolvido em denúncias de corrupção. "Não tenho pensando em renúncia", afirmou o presidente em café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada.
O presidente também não excluiu a possibilidade de recorrer caso a decisão seja pela cassação da chapa Dilma-Temer. Em 2017, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve julgar no próximo ano o pedido do PSDB, hoje aliado de Temer, de impugnação da chapa vencedora das eleições de 2014. "Serei obediente à decisão definitiva do Judiciário", afirmou Temer. O presidente garantiu ainda que Padilha "continua firme e forte no governo". "Não tirarei o chefe da Casa Civil. Não haverá mudança", disse.
A Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, revelou nesta quinta que o ministro pediu ao lobista Lúcio Funaro uma entrega de dinheiro no escritório do ex-assessor da Presidência José Yunes. Funaro teria entregue a Yunes dinheiro vivo repassado pela Odebrecht. A quantia foi de R$ 1 milhão, de acordo com a Coluna.
Um dos auxiliares mais próximos de Temer, Yunes deixou o governo após vir à tona delação do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho. Ele narrou uma reunião em que Temer teria pedido a Marcelo Odebrecht recursos para o PMDB. Marcelo teria decidido repassar R$ 10 milhões, sendo que R$ 6 milhões teriam ido para campanha de Paulo Skaf e R$ 4 milhões entregues ao ministro Padilha e Yunes.
À Coluna, Padilha disse que "não pediu" nada a Funaro. No encontro com jornalistas, o presidente afirmou ainda não ter "nenhuma intenção neste momento de fazer mudança na equipe". "Naturalmente, não sei o que vai acontecer daqui pra frente", completou.
Vazamento
Sobre a Lava Jato, ele voltou a criticar vazamentos de delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht. Temer foi citado pelo ex-executivo Cláudio Melo Filho acusado de ter pedido dinheiro para a campanha do PMDB.
"Vazamento de delações cria clima de instabilidade", afirmou Temer. "Não pode soltar uma delação por semana. Não dá para esperar 77 semanas para que todas as delações sejam trazidas à luz", disse. Na semana passada, Temer mandou carta ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedindo "celeridade" no caso.
Temer descarta renúncia e diz que Padilha fica no cargo
Ministro da Casa Civil teria pedido recebido dinheiro da Odebrecht, diz jornal