Política

Temer discute projeto de porto por apoio de bancada ao impeachment

Iniciativa foi resposta à investida de Dilma, que reorganizou coligações no Maranhão

Temer discute projeto de porto por apoio de bancada ao impeachment
Temer discute projeto de porto por apoio de bancada ao impeachment Foto : Antonio Cruz / Agência Brasil / CP
Em semana decisiva para o processo de impeachment de Dilma Rousseff, o presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), resolveu agir e garantir o voto dos três senadores da bancada do Maranhão. Em reunião no Palácio do Planalto, o peemedebista tratou de um projeto muito caro aos senadores maranhenses, a criação de uma zona de exportação no Porto do Itaqui, em São Luís.

"O projeto é a bandeira da bancada do Maranhão. É uma proposta nossa, que foi abraçada por todos na bancada", disse o senador Roberto Rocha (PSB-MA), autor do texto. Conterrâneo, o senador Edison Lobão (PMDB-MA), é o relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça.

A conversa foi uma reação à investida de Dilma Rousseff, que também nessa semana teria negociado a reorganização de coligações do PT no Maranhão para as eleições municipais, à pedido dos senadores João Alberto Souza (PMDB-MA) e Roberto Rocha. Os senadores negam a movimentação.

Projeto para incentivar produtos de exportação 

A proposta dos parlamentares estabelece a Zona de Exportação do Maranhão (Zema), que tem o objetivo de incentivar a produção de bens destinados à exportação e desenvolver a indústria local. O projeto englobaria toda a capital maranhense como área de livre comércio e com incentivos fiscais especiais, mas sem previsão de renúncia fiscal, aspecto que agrada o governo federal.

É a segunda vez que Michel Temer recebe os senadores maranhenses para tratar do projeto, a primeira foi logo após assumir o governo. Segundo os parlamentares, o presidente em exercício demonstra muito entusiasmo pela proposta.
Eles pretendem votar o projeto até o fim do ano na Comissão de Constituição e Justiça e acreditam que o apoio do governo pode "melhorar os ânimos" para levar a proposta para o plenário do Senado logo em seguida.

Particularidades que desagradam Temer 

Preocupado com o impeachment, Michel Temer observou particularidades políticas do Maranhão que favorecem a presidente afastada e, por isso, resolveu agir. Foi no Maranhão que Dilma Rousseff teve a maior votação proporcional para a presidência em 2014, onde alcançou quase 79% dos votos. Os três integrantes da bancada do Estado votaram a favor do prosseguimento do processo de impeachment da presidente, mas nenhum se comprometeu em manter o voto para o julgamento final.

Edison Lobão foi ministro de Minas e Energia de Dilma e desde a primeira sessão afirmou que votava apenas pela abertura do processo. João Alberto Souza, por sua vez, votou contra a admissibilidade do impeachment e sempre se posicionou à favor de Dilma, mas mudou de lado na última votação por "questões políticas". Após deixar o Palácio do Planalto, disse que não tratou de impeachment. "Não trataria, porque não sei como vou votar", afirmou.

Já Beto Rocha é mais próximo do PCdoB e do PT na política local, se opondo ao clã Sarney, que já demonstrou apoio a Michel Temer. O senador sempre esteve na lista dos aliados de Dilma como um dos mais cotados para votar contra o impeachment.

"É uma questão muito particular para nós do Maranhão, em que a maioria esmagadora da população votou pela reeleição de Dilma. Temos de ter muito cuidado ao tratar sobre o impeachment com os nossos eleitores", disse Beto Rocha. O senador se diz decidido sobre o seu voto, apesar de não querer revelá-lo.