Efetivado no cargo há 22 dias, o presidente Michel Temer disse nesta quarta-feira, que o Brasil vive um momento de "estabilidade política extraordinária", depois de passar por um "brevíssimo período" de turbulência. Falando a uma plateia de empresários e executivos reunidos em Nova Iorque, Temer pediu que eles não "titubeiem" e invistam no Brasil, especialmente nos projetos de infraestrutura anunciados por seu governo.
O presidente insistiu que sua administração tem apoio no Congresso para aprovar o teto de aumento de gastos públicos, as mudanças na legislação trabalhista e uma "radical" reforma da Previdência. Temer disse que a estabilidade política gera segurança jurídica, um dos requisitos necessários para a realização de investimentos."Nós temos alardeado que, lá no Brasil, o que for contratado será cumprido", afirmou em evento promovido pela Americas Society/Council of the Americas.
"No Brasil hoje nós temos estabilidade política extraordinária por causa da relação muito adequada entre o Executivo e o Legislativo." Antes do discurso a cerca de 300 empresários, investidores e analistas de mercado, Temer teve uma reunião fechada com 35 presidentes de grandes empresas americanas que possuem investimentos no Brasil. "Quando eu venho aqui, eu venho para convidá-los a participar desta nova fase de crescimento do País, ancorados
primeiro na ideia de estabilidade política, que já se estabeleceu. Segundo, na segurança jurídica de todas as contratações e, terceiro, no potencial do mercado brasileiro", declarou Temer.
Sergio Amaral, embaixador do Brasil nos EUA, disse que os empresários elogiaram as propostas de reformas e ressaltaram que já há um processo de retomada da confiança no país. Segundo ele, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, disse que a instituição está disposta a financiar obras do programa de infraestrutura anunciados pelo governo.
Segundo o embaixador, ninguém fez perguntas sobre política ou o impeachment. A preocupação teria girado em torno de preocupações antigas, como o excesso de burocracia e complexidade do sistema tributário. A atuação das estatais foi levantada por um dos empresários. Em resposta, Temer disse que a gestão dessas empresas será profissional e de acordo com as regras de mercado, relatou Amaral.
O "novo Brasil" apresentado pelo presidente é amigável ao mercado e à iniciativa privada e não ideológico em sua política externa. O presidente observou que a parceria entre empresas privadas e o poder público para realização de investimentos é prevista na Constituição. Também disse que seu governo abandonou o que classificou de visão "segmentada" e "parcelada" das relações internacionais, em favor de uma concepção não ideológica e "universalista".
Em um sinal de que a sociedade brasileira está menos pacificada do que sugeriu o presidente, três grupos protestavam em frente ao hotel em que o evento foi realizado: um se manifestava a favor de seu governo e outro contra. Entre eles, estavam funcionários do Ministério das Relações Exteriores que estão em greve desde agosto.
O presidente afirmou que a proposta de emenda constitucional que estabelece teto para aumento dos gastos públicos será votada até o fim do ano. Como sinal de apoio à medida, ele relatou ter recebido telefonemas de três líderes partidários que haviam decidido fechar questão em torno do tema. "Fechar questão significa que nenhum deputado ou senador poderá votar contrariamente aquela matéria. Temos apoio significativo no Congresso", explicou aos investidores, sem mencionar pressões de sua própria base de apoio para que a medida seja flexibilizada.
Temer pede a executivos que não titubeiem e invistam no Brasil
Presidente insistiu que governo tem apoio no Congresso para aprovar o teto de aumento de gastos públicos