O presidente Michel Temer receberá nesta sexta-feira, em Brasília, o presidente do Chile, Sebastián Piñera. A cerimônia oficial de chegada de Piñera está prevista para as 11h, no Palácio do Planalto. De acordo com o Itamaraty, a visita ocorre pouco mais de um mês depois da posse do novo presidente, que venceu as eleições em seu país.
Pela programação, os dois presidentes participarão de reuniões e, em seguida, às 12h30, presidem cerimônia de assinatura de acordos relacionados com o intercâmbio econômico entre os dois países e anunciam a abertura de negociações de acordo bilateral de livre comércio.
Temer e Piñera vão emitir também uma declaração conjunta sobre a pauta do relacionamento entre Brasil e Chile, "abrangendo assuntos comerciais, projetos de infraestrutura, assuntos consulares, cooperação nas áreas de defesa, ciência e tecnologia, cultura e assuntos antárticos e temas multilaterais e regionais". Após as cerimônias no Palácio do Planalto, Temer oferece almoço em homenagem ao colega chileno, às 13h, no Itamaraty.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, "o Brasil é o principal destino dos investimentos chilenos no exterior, com estoque de US$ 31 bilhões, e o principal parceiro comercial do Chile na América do Sul. Em 2017, o intercâmbio comercial bilateral alcançou US$ 8,5 bilhões, o que representa alta de 22% em relação ao mesmo período do ano passado".
Objetivo é superar barreiras regulatórias entre Brasil e Chile, diz Temer
O presidente Michel Temer e o presidente do Chile, Sebastián Piñera, defenderam nesta sexta-feira, 27, a integração e eliminação de barreiras comerciais entre os dois países. "Brasil e Chile são parceiros históricos e com valores. Nosso papel é continuar aprimorando essa reação entre Brasil e Chile", afirmou Temer em declaração à imprensa após a reunião com Piñera.
Temer afirmou que, com os acordos assinados nesta sexta, há um estímulo de investimentos entre os dois países. "Agora nosso objetivo é superar barreiras regulatórias entre o Brasil e o Chile", disse, destacando que o Chile é o maior parceiro do País na região. O presidente brasileiro afirmou ainda que houve concordância em fazer a integração entre o Mercosul e a Aliança para o Pacífico.
Durante o encontro com Piñera, segundo Temer, foi discutida ainda a questão da Venezuela. "Expressamos ambos nossa preocupação com o destino político para aquele país. Cheguei a mencionar o problema que temos no Brasil dos imigrantes venezuelanos", afirmou, destacando que a preocupação é com o povo venezuelano. "Concordamos que não há alternativa na região que não seja para um regime democrático", completou.
Temer aproveitou para comentar o movimento do líder norte-coreano, Kim Jong-un, e do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que prometerem trabalhar pela "desnuclearização completa da península coreana", durante a primeira cúpula intercoreana em mais de uma década. "Esperamos estar assistindo uma etapa que levará a paz na península coreana. Isso terá repercussões em outros conflitos regionais", comentou.
O presidente Sebastián Piñera destacou que foram feitos acordos importantes com o Brasil e que os dois países caminham para eliminar barreiras tarifárias. Ele destacou o desejo do Chile e Brasil liderarem o processo de integração na América Latina e, não só de comércio de bens, serviços e investimentos, mas também na área da segurança.
Acordos
As duas nações assinaram um protocolo de Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI). O protocolo faz parte de uma geração de acordos internacionais que o Brasil começou a assinar em 2015, que oferecem uma proteção adicional a companhias que investem no exterior.
O protocolo financeiro complementa um acordo mais amplo assinado entre Brasil e Chile em 2015, que protege investimentos nos demais setores da economia. Na época decidiu-se que os bancos teriam um capítulo à parte, por se tratar de uma atividade altamente regulada. Além do Chile, o Brasil já tem Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos com Peru, Colômbia, México, Angola, Moçambique e Malaui. Um protocolo com as mesmas finalidades foi formalizado no Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) em dezembro passado.
Durante a visita, também foi assinado um Acordo de Contratação Pública, pelo qual empresas dos dois países poderão participar das licitações públicas em igualdade de condições. Após a declaração à imprensa, os dois presidentes seguiram para o Palácio do Itamaraty, para um almoço oferecido ao presidente Piñera.
Temer recebe presidente do Chile em Brasília nesta sexta-feira
Após cerimônia, países devem discutir acordo de livre comércio