O vice-presidente Michel Temer se encontrou nesta quarta-feira, com o primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, na mais importante reunião entre as autoridades dos dois países na atual viagem oficial à Moscou. Em seus discursos, os dois representantes prometeram intensificar a cooperação em áreas como educação, ciência e tecnologia, mas focaram seus discursos no objetivo de elevar o comércio bilateral à meta de 10 bilhões de dólares estabelecida pelo Planalto e pelo Kremlin.
Em seu discurso, Medvedev ressaltou a necessidade de buscar avanços concretos da colaboração bilateral nas áreas de comércio, indústria, agricultura, ciência e cultura. "O Brasil é o nosso grande parceiro na América do Sul. Trabalhamos juntos e colaboramos em diferentes formatos, como os BRICS, e cooperamos de maneira intensa no G20, na OMC e na ONU", lembrou o premiê e também ex-presidente. "É muito importante que nossa cooperação política se apoie na cooperação econômica. Nosso comércio tem crescido nos últimos dois anos a um ritmo sustentável e, apesar das oscilações do período mais recente, fizemos um bom avanço no que diz respeito ao objetivo de 10 bilhões de dólares do comércio bilateral."
Em resposta, Temer reforçou a necessidade de implementação das medidas do plano de ação de cooperação econômica e comercial e convidou as empresas russas dos setores de infraestrutura e energia a investirem no País. "O Brasil tem todo o interesse em atrair empresas russas para trabalhos de modernização de nossa infraestrutura", lembrou, citando setores como o ferroviário, no qual o Estado e as companhias russas têm experiência. "Muito pode e deve ser feito para que possamos chegar à cifra de 10 bilhões de dólares do comércio bilateral." Temer está em Moscou há três dias participando da Comissão de Alto Nível (CAN) entre Brasil e Rússia.
Acompanham sua delegação seis ministros do PMDB, entre os quais o de Energia, Eduardo Braga, e de Turismo, Henrique Eduardo Alves. Desde que chegou, o vice-presidente só falou à imprensa por pouco mais de cinco minutos, e tem evitado questões sobre a situação política no Brasil. Ele tampouco se posicionou de forma oficial sobre os cortes de R$ 26 bilhões anunciados pelo governo de Dilma Rousseff e não se manifestou sobre se apoiará ou não a proposta de recriação da CPMF, projeto que criticou há três semanas.
Na segunda-feira à noite, entretanto, Temer e Dilma conversaram por telefone, quando a presidente explicou o projeto de cortes e de aumento da carga tributária. Segundo ministros que acompanham o vice-presidente, Temer "compreendeu" as alegações e aceitou os argumentos do Planalto. "Ele concordou com a argumentação que ela (Dilma) fez, com as motivações que ela apresentou", disse o ministro Henrique Eduardo Alves. "Ao chegar ao Brasil ele (Temer) vai trabalhar para ajudar na relação com o poder Legislativo", disse Alves.
A delegação brasileira deixa Moscou nesta quarta-feira, partindo para Varsóvia, na Polônia, segunda e última etapa da turnê pela Europa.
Temer se encontra com Medvedev e pede mais colaboração econômica com a Rússia
Representantes prometeram intensificar a cooperação em áreas como educação, ciência e tecnologia