A presidente Dilma Rousseff aceitou nesta quarta-feira o pedido de demissão do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Thomas Traumann. “A presidenta agradeceu a competência, dedicação e lealdade de Traumann no período como ministro e porta-voz”, diz o texto divulgado pela Secretaria de Imprensa da Presidência. Ele deixa o cargo uma semana após o portal Estadão.com divulgar um documento interno do Planalto no qual critica várias posturas do governo federal na área da Comunicação, considerada "errática" no documento e avalia que o Planalto vive um momento de "caos político". Após o episódio, o ministro saiu de férias por seis dias e retornou ao trabalho nessa terça-feira. Não há informações sobre o substituto de Traumann na pasta.
Elaborado pela Secom, o documento, que não tem assinatura, circulou na terça-feira, entre ministros, dirigentes do PT e assessores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto cita, em tom de alerta, pesquisa telefônica recente feita pelo Ibope a pedido do Planalto na qual 32% dos entrevistados disseram ter mudado de opinião negativamente sobre o governo nos últimos seis meses - ou seja, da campanha de outubro até agora. Conclui que o País passa por um "caos político" e admite: "Não será fácil virar o jogo".
O documento é dividido em três partes: "Onde estamos", "Como chegamos até aqui" e "Como virar o jogo". Na primeira o governo faz um diagnóstico do momento e admite erros de ação principalmente nas redes sociais. "A comunicação é o mordomo das crises. Em qualquer caos político, há sempre um que aponte 'a culpa é da comunicação'. Desta vez, não há dúvidas de que a comunicação foi errada e errática. Mas a crise é maior do que isso." Apesar do mea-culpa, o governo tenta dividir o ônus da crise. "Ironicamente, hoje são os eleitores de Dilma e Lula que estão acomodados com o celular na mão enquanto a oposição bate panela. Dá para recuperar as redes, mas é preciso, antes, recuperar as ruas."
Thomas Traumann deixa a Secretaria de Comunicação Social da Presidência
Governo não diz o motivo da saída e nem quem assumirá a pasta