Política

"Tinha que matar mais", afirma secretário de Temer sobre massacre de presos

Bruno Júlio criticou valorização muito grande da morte de apenados em Roraima e Amazonas

Bruno Júlio criticou valorização muito grande da morte de apenados em Roraima e Amazonas
Bruno Júlio criticou valorização muito grande da morte de apenados em Roraima e Amazonas Foto : Twitter / Reprodução CP
O secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio, criticou nesta sexta-feira em entrevista ao jornal O Globo, a repercussão dada ao massacre de presos no Amazonas e em Roraima. À coluna do jornalista Ilimar Franco, Júlio disse que "tinha era que matar mais" e que "tinha de ter uma chacina por semana".  Conforme O Globo, durante a noite o secretário pediu demissão do cargo, que teria sido aceita e deverá ser publicada no Diário Oficial da União.

Ele também afirmou que "está havendo uma valorização muito grande da morte de condenados, muito maior do que quando um bandido mata um pai de família que está saindo ou voltando do trabalho". "Sou filho de policial e entendo o dilema diário de todas as famílias. Quando meu pai saía de casa, vivíamos a incerteza de saber se ele iria voltar, em razão do crescimento da violência", afirmou o secretário - seu pai, Cabo Júlio (PMDB), atualmente é deputado estadual em Minas Gerais.

O Palácio do Planalto considerou "infeliz" a declaração do secretário. De acordo com assessores do Planalto, o governo vai avaliar a repercussão das declarações. Aliados do presidente Michel Temer defenderam na noite desta sexta-feira que o secretário deixe o cargo.

Bruno Júlio foi nomeado por meio de indicação da bancada mineira do PMDB. Ele é presidente licenciado da Juventude Nacional do partido.  Para o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, é uma "afronta" mantê-lo na secretaria depois das declarações.

Após a repercussão da declaração, o secretário divulgou nota sobre o assunto. "O que eu quis dizer era que, embora o presidiário também merecesse respeito e consideração, eu entendo que também temos que valorizar mais o combate à violência. Mecanismos que o Estado não tem conseguido colocar à disposição da população plenamente", enfatizou.