Política

Toffoli defende “exceção” contra bloqueio de recursos do TSE

Corte no orçamento do Judiciário prejudicou licitação que já está em curso para aquisição de novas urnas

Corte no orçamento do Judiciário prejudicou licitação que já está em curso para aquisição de novas urnas
Corte no orçamento do Judiciário prejudicou licitação que já está em curso para aquisição de novas urnas Foto : Antônio Cruz / Agência Brasil / CP
O ministro Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou nesta terça-feira, que os valores para a Justiça Eleitoral adquirir novas urnas eleitorais e atualizar os equipamentos já obsoletos são menores que os recursos destinados ao Fundo Partidário. O corte no orçamento do Judiciário prejudicou uma licitação que já está em curso para a aquisição das novas urnas, ao custo de R$ 200 milhões. O valor atual do fundo, alimentado com recursos públicos e destinado aos partidos políticos, é de R$ 867 milhões.

Tribunais superiores divulgaram recentemente portaria conjunta na qual afirmam que o contingenciamento imposto à Justiça Eleitoral deverá inviabilizar o voto eletrônico nas eleições de 2016. A Justiça Eleitoral teve corte de R$ 428,7 milhões.

"Esse valor que a Justiça Eleitoral está precisando é muito menor do que o Fundo Partidário", disse Toffoli, que participou do Prêmio Innovare, no Supremo Tribunal Federal. "Nós estamos muito esperançosos de que o Congresso, o Ministério do Planejamento, Tesouro Nacional e a Presidência irão garantir a exceção sobre esses recursos necessários para a continuidade das urnas e das eleições, que têm data marcada."

Toffoli afirmou que o contingenciamento das verbas destinadas ao Judiciário, publicado anteontem no Diário Oficial, representa mais de 80% das necessidades impostas às eleições do ano que vem. "É sempre necessário reaquisição de novas urnas para repor antigas."

O ministro Gilmar Mendes considera que o Judiciário vai precisar negociar o contingenciamento. "É uma situação delicada, certamente isso vai ser objeto de negociação e terá que ser feita adevida avaliação. (O voto em cédula de papel) Terá um curso significativo, além das dificuldades de voltar a esse modelo. Até mesmo o aprendizado do eleitorado e dos mesários."

O advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, disse que esse é um assunto para o Congresso resolver. "A decisão de entender o contingenciamento como obrigatório é de uma jurisprudência do Tribunal de Contas da União. O Congresso precisará discutir esse assunto e avaliar se deverá mantê-lo ou não."

O ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, disse que o governo irá estudar a questão para viabilizar as urnas eletrônicas em 2016. "Primeiro nós vamos manter um diálogo com o Poder Judiciário. Nossos órgãos técnicos vão estudar o problema, temos que dialogar também com o Poder Legislativo para que nós possamos equacionar essa situação, uma vez que o voto eletrônico é muito importante para a cidadania, para o País."