Política

Trajetória dedicada à militância

Socialista Érico Corrêa vê na luta política diária a sua razão de viver

Vida dos ícones da esquerda mundial inspiram o candidato do PSTU em sua militância política
Vida dos ícones da esquerda mundial inspiram o candidato do PSTU em sua militância política Foto : Vinicius Roratto / CP
Quem atende a porta do apartamento de Érico Corrêa é a secretária da casa, Solange, que passa roupas na sala de paredes adornadas com reproduções populares de telas de Van Gogh e Modigliani. Após alguns instantes, ele entra. "Solange, eles vão fazer fotos, vai ali dentro. Tá tudo arrumado, a gente nem comeu em casa ontem porque vocês vinham...".

E assim, em tom de brincadeira, o candidato do PSTU à Prefeitura de Porto Alegre começa a contar a história do menino nascido e criado no bairro Auxiliadora, que ajudou a fundar no Estado o PT e o PSol, rompeu com ambos, tem a vida pessoal fundida à atuação sindical e estufa de forma inconsciente o peito quando fala da única filha, Gabriela.

Os capítulos da sua vida são recheados de avaliações sobre os partidos, o sistema eleitoral, os governos. Se o ritmo da campanha altera muito sua rotina? "Faço mais política fora desta época do que nela. A nossa vida é a luta política", resume, em uma das várias referências a sua atual companheira de vida, Neida de Oliveira, vice-presidente do Cpers.

Aos 52 anos, Érico considera ter se politizado tardiamente. Começou a militar mesmo quando a Caixa Econômica Estadual, onde era funcionário de carreira e chegou a gerente-geral, fechou. Mas faz questão de se colocar no centro de dois episódios recentes da política gaúcha. "Fui um dos organizadores da manifestação em frente à casa da Yeda (a ex-governadora Yeda Crusius). E, no ano passado, estava entre os que não deixaram o Tarso (o governador Tarso Genro) subir no caminhão na Marcha dos 100", lembra o homem que diz ser o Cpers a "única oposição" aos governos Yeda e Tarso.

Ao PSTU, Érico filiou-se recentemente para participar da corrida à prefeitura, já que a sigla e o grupo político ao qual o sindicalista pertence discutem uma aproximação. Servidor público ativo lotado na Secretaria da Administração, sua principal ocupação é a presidência do Sindicaixa (em quarto mandato) para o qual está liberado há 12 anos.

Para responder aos adversários políticos que apontam contradições entre o discurso em favor do "proletariado" e a confortável vida de classe média, responde: "É como quando me criticam por verem alguma faixa ou cartazes meus no Auxiliadora. A gente preza muito a classe operária. Mas isso não significa que não possamos ter nada. Veja o Lenin, nunca trabalhou (dentro do conceito clássico marxista para definir trabalhadores)".

Com a mesma lógica, Érico explica a participação nas eleições ou as alianças eventuais com partidos que seu grupo critica (como a que ocorre no Cpers). "As mesmas forças que sustentam os partidos regulam o sistema eleitoral e as eleições não mudam a vida. Se fosse assim, já teriam mudado alguma coisa. Mas participamos porque são momentos ricos e também porque se abre mais espaço. A gente não pode fazer da política uma coisa utópica. Temos que ter o que Marx chamava de paciência histórica."

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