O Exército afirmou nesta sexta-feira que a transferência do general Antônio Hamilton Martins Mourão do Comando Militar do Sul (CMS) para a Secretaria de Economia e Finanças, em Brasília, estava programada há mais de um ano. A assessoria de imprensa informou que as movimentações acontecem de uma forma “normal para a profissão” e não confirmou que a decisão foi tomada em virtude de declarações do general com duras críticas à classe política e ao atual governo.
A assessoria do Exército esclareceu ainda que o ato que lembrou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra fez parte de uma formatura e não se tratou de uma homenagem póstuma. O militar teria sido citado apenas pelo fato de ser natural de Santa Maria, onde ocorreu a cerimônia. Ustra foi o primeiro integrante do regime militar (1964-1985) reconhecido como torturador pela Justiça brasileira.
A homenagem ao coronel - que teria sido determinada pela 3ª Divisão de Exército com sede em Santa Maria - ocorreu no pátio de formatura da 6ª Brigada de Infantaria Blindada na segunda-feira. O comando local teria informado que a determinação partiu do comandante Militar do Sul, general Antônio Hamilton Martins Mourão. A orientação seria de que a homenagem não chegasse ao conhecimento público, ficando restrita à caserna.
Coronel Ustra
Em 15 de outubro, o coronel Ustra morreu de câncer, aos 81 anos, em Brasília. Ele foi comandante do Destacamento de Operações Internas (DOI-Codi) de São Paulo no período de 1970 a 1974, durante a ditadura militar. Ustra foi acusado pelo Ministério Público Federal por envolvimento em crimes como o assassinato do militante comunista Carlos Nicolau Danielli, sequestrado e torturado nas dependências do órgão. Em 2008, tornou-se o primeiro militar a ser reconhecido, pela Justiça, como torturador durante a ditadura.
Em maio de 2013, ele compareceu à sessão da Comissão Nacional da Verdade. Apesar do habeas corpus que lhe permitia ficar em silêncio, Ustra respondeu a algumas perguntas. Na oportunidade, negou que tivesse cometido qualquer crime durante seu período no comando do DOI-Codi paulista. Disse também que recebeu ordens de seus superiores no Exército para fazer o que foi feito, e que suas ações à frente do órgão tinham como objetivo o combate ao terrorismo.
Transferência de general estava programada há mais de um ano, diz Exército
Comandante Militar do Sul teria feito declarações com críticas ao atual governo