Política

TRE nega habeas corpus para suspeitos de crime eleitoral em Jaquirana

Filho do prefeito e mais dois membros da coligação teriam comprado votos na campanha

 A investigação em Jaquirana gerou uma movimentação atípica no TRE gaúcho
A investigação em Jaquirana gerou uma movimentação atípica no TRE gaúcho Foto : Polícia Civil / Divulgação / CP
O juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Estado (TRE-RS), Artur dos Santos e Almeida, indeferiu na noite desta quarta-feira o pedido de habeas corpus feito pelo advogado Gustavo Fernando Paim, representante dos três suspeitos de crime eleitoral em Jaquirana. Paim enviou o pedido no final da tarde, por meio de fax. Ivan Lauro Rauber, 40 anos, filho do prefeito reeleito da cidade Ivanor Rauber; o vereador reeleito pelo terceiro mandato Orestes Ângelo Andelieri, 55 anos; e o coordenador de campanha do prefeito, José Evandro Pereira dos Reis, 39 anos permaneceram na cadeia desta forma.

A investigação em Jaquirana gerou uma movimentação atípica no TRE gaúcho. Tão logo soube que os advogados impetrariam somente no final da tarde um pedido de habeas corpus, o tribunal montou um esquema de plantão para a apreciação do pedido. O motivo foi o feriado de Finados (2 de novembro) conjugado com o dia de Todos os Santos (1º de novembro), quando não há expediente na Justiça Eleitoral em função de lei. Os feriados e o fim de semana fariam com que a decisão sobre o hábeas ficasse apenas para a segunda-feira. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai realizar uma inspeção na prefeitura de Jaquirana para apurar a suspeita de uso de recursos públicos para a prática de crime eleitoral.

Segundo o delegado Flademir Paulino de Andrade, as escutas dos telefones dos três suspeitos, feitas com autorização da Justiça, resultaram em mais de 15 mil ligações interceptadas, onde, ressaltou o delegado, foi constatada a prática de crime eleitoral — tanto ativo quanto passivo —, e o crime de transporte de eleitores.  As interceptações, de acordo com o delegado, foram feitas em 15 dias — 12 dias de campanha eleitoral e três dias após as eleições de 1º turno —, gerando 350 páginas de transcrições.

Andrade revelou que durante a coleta de dados, os três suspeitos, além de outras pessoas, oferecem ou prometem a eleitores todo tipo de vantagens em troca de votos. “Eles oferecem principalmente dinheiro, combustível, madeira, transportes, serviços, passagens de ônibus e até de avião, entre outras coisas”, contou o delegado.









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