A investigação em Jaquirana gerou uma movimentação atípica no TRE gaúcho. Tão logo soube que os advogados impetrariam somente no final da tarde um pedido de habeas corpus, o tribunal montou um esquema de plantão para a apreciação do pedido. O motivo foi o feriado de Finados (2 de novembro) conjugado com o dia de Todos os Santos (1º de novembro), quando não há expediente na Justiça Eleitoral em função de lei. Os feriados e o fim de semana fariam com que a decisão sobre o hábeas ficasse apenas para a segunda-feira. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) vai realizar uma inspeção na prefeitura de Jaquirana para apurar a suspeita de uso de recursos públicos para a prática de crime eleitoral.
Segundo o delegado Flademir Paulino de Andrade, as escutas dos telefones dos três suspeitos, feitas com autorização da Justiça, resultaram em mais de 15 mil ligações interceptadas, onde, ressaltou o delegado, foi constatada a prática de crime eleitoral — tanto ativo quanto passivo —, e o crime de transporte de eleitores. As interceptações, de acordo com o delegado, foram feitas em 15 dias — 12 dias de campanha eleitoral e três dias após as eleições de 1º turno —, gerando 350 páginas de transcrições.
Andrade revelou que durante a coleta de dados, os três suspeitos, além de outras pessoas, oferecem ou prometem a eleitores todo tipo de vantagens em troca de votos. “Eles oferecem principalmente dinheiro, combustível, madeira, transportes, serviços, passagens de ônibus e até de avião, entre outras coisas”, contou o delegado.