Política

Trump ameaça retaliar ainda mais o Brasil caso país adote reciprocidade

Ordem Executiva publicada pelo governo norte-americano diz que se governo brasileiro reagir também aumentando tarifas, Estados Unidos vão adotar montantes correspondentes além do tarifaço

Republicano diz em documento que pode aumentar retaliações
Republicano diz em documento que pode aumentar retaliações Foto : Jim Watson / AFP

Além do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, o presidente norte-americano Donald Trump ameaça ainda mais taxas e retaliações ao Brasil caso o país decida adotar a reciprocidade, ou seja, também aumentar tarifas para a importação de produtos dos Estados Unidos, como forma de responder às sanções.

A intimidação está explicitada em trecho da Seção 4 da ordem executiva assinada por Trump e divulgada na quarta-feira, 30. “Caso o Governo do Brasil tome medidas de retaliação contra os Estados Unidos em resposta a esta ação, modificarei esta ordem para garantir a eficácia das medidas aqui ordenadas. Por exemplo, se o Governo do Brasil retaliar aumentando as tarifas sobre as exportações dos Estados Unidos, aumentarei a alíquota ad valorem estabelecida nesta ordem em um montante correspondente”, diz o texto.

Na Seção 5 do documento, a ameaça é reiterada. “O Secretário de Estado, em consulta com o Secretário do Tesouro, o Secretário de Comércio, o Secretário de Segurança Interna, o Representante Comercial dos Estados Unidos, o Assistente do Presidente para Assuntos de Segurança Nacional, o Assistente do Presidente para Política Econômica e o Assistente do Presidente e Conselheiro Sênior para Comércio e Manufatura, recomendará a mim ações adicionais, se necessário, se esta ação não for eficaz para resolver a emergência declarada nesta ordem ou se o Governo do Brasil retaliar contra os Estados Unidos em resposta às ações tomadas nesta ordem ou qualquer ordem subsequente emitida para lidar com esta emergência”, assinala o trecho.

Desde que Trump anunciou, via redes sociais, em 9 de julho, que instituiria um tarifaço de 50% para o Brasil, o governo brasileiro cogita a possibilidade de responder por meio da Lei da Reciprocidade Econômica. A lei foi aprovada pelo Congresso em 2 de abril e, em 14 de julho, o presidente Lula assinou o decreto que a regulamenta. Em resumo, a norma define critérios de proporcionalidade para barreiras impostas a produtos e interesses brasileiros, e autoriza o governo a reagir a ações externas que afetem a competitividade do país.

A importância que determinados produtos brasileiros têm para a economia dos Estados Unidos, por sua vez, fica clara na Seção 3 da nota executiva. Nela, Trump cita especificamente alguns dos 694 produtos que constam no anexo do documento, e sobre os quais o tarifaço não será aplicado. “O imposto ad valorem imposto nesta ordem não se aplicará a artigos que são isentos por 50 USC 1702(b) ou estabelecidos no Anexo I desta ordem, incluindo certos metais de silício, ferro-gusa, aeronaves civis e suas peças e componentes, alumina de grau metalúrgico, minério de estanho, polpa de madeira, metais preciosos, energia e produtos energéticos e fertilizantes”, detalha o trecho.

O documento adia a majoração das tarifas, inicialmente anunciada pelo governo norte-americano para 1º de agosto. Conforme a nota, a sobretaxa passará a ser aplicada sete dias após a publicação da ordem, ou seja, a partir de 6 de agosto.

📝Leia a íntegra da ordem executiva de Trump contra o Brasil

Documento detalha as medidas do tarifaço e possíveis retaliações adicionais caso haja resposta brasileira.