O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (14), que não tem receio de uma eventual interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições brasileiras de outubro deste ano, mas que isso poderia inclusive beneficiá-lo na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Receio não tenho. Eu acho que ele me ajudaria muito se fizesse isso”, disse o presidente nesta terça-feira, 14, em entrevista aos sites Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Fórum, em tom bem humorado.
“O vice dele (JD Vance) foi à Hungria fazer campanha ao (Viktor) Orbán (primeiro-ministro da Hungria, derrotado no último fim de semana nas eleições). Tenho visto mensagens do Trump dando palpite nas eleições de Honduras, Costa Rica. Acho absurdo, é uma intromissão sem precedente na soberania de um país. Aqui, ele ainda não fez, mas meus adversários têm um filho lá que foi pedir para o Trump intervir no Brasil, acho isso um erro de comportamento tanto deles pedindo quanto do Trump”, declarou.
Guerra e papa
Segundo Lula, a guerra dos Estados Unidos, liderada por Donald Trump, contra o Irã é inconsequente e que o presidente estadunidense não precisa ameaçar o mundo. Lula também foi solidário ao papa Leão XIV, que trocou críticas com Trump esta semana.
Para o presidente Lula, Trump faz jogo de narrativas na tentativa de agradar à população e para tentar passar a ideia de os Estados Unidos serem “país onipotente, daquele povo superior”. O brasileiro afirmou que admira os Estados Unidos como maior economia do mundo, mas que isso é resultado da capacidade de trabalho do povo do País norte-americano.
“Isso não é pelo autoritarismo do presidente. Isso é pela conjuntura econômica, pela importância do País, pelo grau de universidade que eles têm. Então, o Trump não precisava ficar ameaçando o mundo”, disse Lula.
“Essas ameaças do Trump não fazem bem para a democracia. Essa guerra do Irã é inconsequente”, acrescentou o presidente ao destacar as consequências do conflito na economia, sobretudo nos preços dos combustíveis.
No domingo (12), ao comentar as críticas do papa sobre as ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela, Trump afirmou que Leão XIV é "terrível em política externa" e pediu que ele deixe de agradar a esquerda radical. O papa respondeu que não tem medo do presidente estadunidense e que acredita na mensagem de paz do Evangelho.
“Estive com ele [papa Leão XIV] e saí muito bem-impressionado. [Quero] ser solidário a ele, porque está correta a crítica que ele fez ao presidente Trump. Ninguém precisa ter medo de ninguém”, disse Lula em entrevista aos veículos Brasil247, Revista Fórum e DCM.
Ramagem
Durante a entrevista, Lula ainda lembrou da recente parceria entre Brasil e Estados Unidos visando a combater o tráfico internacional de armas e drogas e comentou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) pelo serviço de imigração e alfândega do País norte-americano, conhecido pela sigla ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement).
“O Ramagem acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso por uma multazinha [de trânsito], mas não. Ele foi preso, ele já estava condenado a 16 anos no Brasil, ele foi um golpista que está condenado. Ele tem que voltar para o Brasil para cumprir a sua pena”, disse Lula.
A Polícia Federal (PF) informou, em nota, que a prisão de Ramagem decorreu "de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA". O ex-deputado e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi detido na cidade de Orlando, no estado da Flórida.
Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito. Proibido de deixar o País, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.
O nome de Ramagem consta na lista de foragidos procurados da Interpol.
Com informações da Agência Brasil.