Política

Tumulto marca debate na Câmara sobre projeto da "cura gay"

Proposta prevê autorizar psicólogos a trabalharem no tratamento para a homossexualidade

Gritos, bate-boca e muita confusão marcaram a audiência pública desta quinta-feira na Comissão de Seguridade da Câmara dos Deputados, em Brasília, que discutiu a proposta do decreto conhecido como “Cura Gay”. De autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), o projeto prevê a aplicação de dois dispositivos da resolução 1/99 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), com o objetivo de permitir que psicólogos trabalhem no tratamento para a homossexualidade. O regulamento do CFP proíbe profissionais de usarem a mídia para reforçar preconceitos contra um grupo de homossexuais ou propor cura para eles. O CFP não aceitou o convite para participar da audiência por considerar a composição da mesa "pouco equilibrada".

Entre os convidados que falaram estava a psicóloga Marisa Lobo, que defende o direito de psicólogos atenderem pacientes que busquem mudar a sua orientação sexual. Para a psicóloga, é possível que o paciente mude sua orientação, se esse for o seu desejo. A fala de Lobo provocou polêmica entre os que assistiam à audiência. Um tumulto se formou e um bate-boca entre a psicóloga e representantes do Movimento Gay se instalou. "Ser cristão não significa ser alienada", disse a psicóloga para uma plateia que revidava chamando-a de "barraqueira".

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) e a deputada Érika Kokay (PT-DF) criticaram o projeto e se retiraram pouco depois de se posicionarem. No final da audiência, o relator do projeto, deputado Roberto de Lucena (PV-SP), leu um manifesto do CFP em repúdio à proposta. Como só leu alguns trechos do manifesto, integrantes do movimento gay presentes à reunião começaram a ler o texto na íntegra provocando nova confusão. Eles foram retirados do plenário da comissão por seguranças da Casa.

Luth Laporta, da Companhia Revolucionária Triângulo Rosa disse que não havia nenhuma isenção dos deputados durante a audiência. "Essa foi uma audiência para a comunidade evangélica e pela comunidade evangélica. Não houve uma discussão democrática", disse.

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