Política

Ufrgs justifica que entrevista deixou de ser veiculada para evitar infringir lei eleitoral

Universidade garantiu que "repúdia toto e qualquer ato de censura" e compromisso em gerar debates

Universidade garantiu que "repúdia toto e qualquer ato de censura" e compromisso em gerar debates
Universidade garantiu que "repúdia toto e qualquer ato de censura" e compromisso em gerar debates Foto : Samuel Maciel / CP Memória
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) emitiu nota oficial, nesta quinta-feira, explicando a não-veiculação do programa "Entrevista Coletiva" em que o professor e cientista político Benedito Tadeu César teria usado a palavra "golpe" em referência ao impeachment de Dilma Rousseff. A instituição argumentou que a escolha de não transmitir o conteúdo foi tomada pelo cuidado de não infringir a lei eleitoral no artigo 45, "que restringe o tratamento privilegiado ou a propaganda contrária ou favorável a candidatos, partidos e coligações".

Conforme nota, a Ufrgs "repudia todo e qualquer ato de censura ou de cerceamento da liberdade de expressão". O documento salientou ainda, que "a Universidade é autônoma e, muito além de ser um local restrito ao ensino, também discute e provoca debates na sociedade". O comunicado, entretanto, não esclareceu se e quando a entrevista será transmitida. Na internet, o conteúdo foi disponibilizado na íntegra.

De acordo com Tadeu César, a medida teria partido do diretor da Rádio Universitária, André Prytoluk. Em sua página no Facebook, ele afirmou que Prytoluk entrou no estúdio logo após a gravação da entrevista e afirmou que iria proibir a veiculação do programa.

“Acabo de gravar um programa Entrevista Coletiva, na Rádio da Universidade, coordenado pela Sandra de Deus. Ao final da gravação, o André (Prytoluk), diretor da rádio, entrou no estúdio e proibiu a veiculação do programa, que deveria ocorrer agora às 11h, alegando que falamos em golpe e que já uma lei, que ele recebeu cópia ontem, proibindo que se faça críticas ao presidente da República e se falar em golpe”, escreveu o cientista político.

O professor do curso de Comunicação Social e diretor da rádio, André Prytoluk, disse que tomou a decisão de suspender a veiculação do programa Entrevista Coletiva cinco minutos antes dele ir ao ar. "Foi uma decisão administrativa para resguardar a rádio da Universidade de alguma sanção", explicou. Ele alega que temia alguma punição decorrente das regras definidas na lei eleitoral.

Com seu smartphone aberto no arquivo eletrônico da Lei 9.504/1997, da qual cita: "A lei veda a divulgação de opinião favorável ou contrária a candidato, partido ou coligação", lia o professor, enquanto manuseava o aparelho. Segundo ele, a interpretação de que haveria risco de prejuízo à emissora mantida pela UFRGS foi pessoal e a tomada de decisão foi motivada por responsabilidade profissional.

O professor sustenta que foram citados partidos políticos. "Foram mencionados os partidos PT e PMDB. Minha interpretação foi de que havia risco de violarmos a legislação. Não teve nada a ver com as falas sobre ter ocorrido um golpe. Estão me chamando de golpista, agora. Não sou. Não me posiciono sobre isso", argumentou Prytoluk.