A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) emitiu nota oficial, nesta quinta-feira, explicando a não-veiculação do programa "Entrevista Coletiva" em que o professor e cientista político Benedito Tadeu César teria usado a palavra "golpe" em referência ao impeachment de Dilma Rousseff. A instituição argumentou que a escolha de não transmitir o conteúdo foi tomada pelo cuidado de não infringir a lei eleitoral no artigo 45, "que restringe o tratamento privilegiado ou a propaganda contrária ou favorável a candidatos, partidos e coligações".
Conforme nota, a Ufrgs "repudia todo e qualquer ato de censura ou de cerceamento da liberdade de expressão". O documento salientou ainda, que "a Universidade é autônoma e, muito além de ser um local restrito ao ensino, também discute e provoca debates na sociedade". O comunicado, entretanto, não esclareceu se e quando a entrevista será transmitida. Na internet, o conteúdo foi disponibilizado na íntegra.
De acordo com Tadeu César, a medida teria partido do diretor da Rádio Universitária, André Prytoluk. Em sua página no Facebook, ele afirmou que Prytoluk entrou no estúdio logo após a gravação da entrevista e afirmou que iria proibir a veiculação do programa.
“Acabo de gravar um programa Entrevista Coletiva, na Rádio da Universidade, coordenado pela Sandra de Deus. Ao final da gravação, o André (Prytoluk), diretor da rádio, entrou no estúdio e proibiu a veiculação do programa, que deveria ocorrer agora às 11h, alegando que falamos em golpe e que já uma lei, que ele recebeu cópia ontem, proibindo que se faça críticas ao presidente da República e se falar em golpe”, escreveu o cientista político.
O professor do curso de Comunicação Social e diretor da rádio, André Prytoluk, disse que tomou a decisão de suspender a veiculação do programa Entrevista Coletiva cinco minutos antes dele ir ao ar. "Foi uma decisão administrativa para resguardar a rádio da Universidade de alguma sanção", explicou. Ele alega que temia alguma punição decorrente das regras definidas na lei eleitoral.
Com seu smartphone aberto no arquivo eletrônico da Lei 9.504/1997, da qual cita: "A lei veda a divulgação de opinião favorável ou contrária a candidato, partido ou coligação", lia o professor, enquanto manuseava o aparelho. Segundo ele, a interpretação de que haveria risco de prejuízo à emissora mantida pela UFRGS foi pessoal e a tomada de decisão foi motivada por responsabilidade profissional.
O professor sustenta que foram citados partidos políticos. "Foram mencionados os partidos PT e PMDB. Minha interpretação foi de que havia risco de violarmos a legislação. Não teve nada a ver com as falas sobre ter ocorrido um golpe. Estão me chamando de golpista, agora. Não sou. Não me posiciono sobre isso", argumentou Prytoluk.
Ufrgs justifica que entrevista deixou de ser veiculada para evitar infringir lei eleitoral
Universidade garantiu que "repúdia toto e qualquer ato de censura" e compromisso em gerar debates