Política

Uma história vinculada à educação

Candidato do PSL, Jocelin Azambuja, relembra como se iniciou na política e conta a sua trajetória em torno da educação

Jocelin, que iniciou no RS o movimento dos círculos de pais e mestres, tem toda a sua carreira ligada à educação
Jocelin, que iniciou no RS o movimento dos círculos de pais e mestres, tem toda a sua carreira ligada à educação Foto : Arthur Puls
Se tivesse que resumir em uma palavra seus ideais, o candidato do PSL à Prefeitura de Porto Alegre, Jocelin Azambuja, certamente responderia educação. Jocelin tem a trajetória dentro e fora da política vinculada à área e, enquanto relembra fatos da vida, fala de como educação e política acabaram se entrelaçando em sua história.

Era o início dos anos 1980 quando, com duas filhas matriculadas em escola pública, o então jovem advogado, que já tinha atuado no movimento estudantil, e a esposa, Slenia, procuravam um jeito de fazer com que suas opiniões fossem ouvidas. "Achamos que era importante os pais ajudarem. Acabei sendo um dos fundadores da Federação dos Círculos de Pais e Mestres, que presidi de 1984 a 1989. Era muito bom, eu tinha que viajar pelo Estado, aí botava a família inteira no carro e ia", recorda.

A liderança frente ao movimento de pais fez com que recebesse o primeiro convite para ingressar na política partidária. Foram peemedebistas os primeiros a instigar Jocelin a disputar uma vaga como deputado estadual. "Não quis misturar as coisas", resume. A época, contudo, era de forte ligação entre os que atuavam nos movimentos vinculados à educação e à política partidária, e não demorou para que outra sigla atraísse Jocelin. Ele aproximou-se do então deputado Carlos Araújo e filiou-se ao PDT. "Concorri a deputado estadual e não ganhei, mas foi aí que criei o meu slogan: ''Educação é a solução''. Foi o próprio Brizola quem me disse para nunca abrir mão dele." Com Alceu Collares eleito governador, Jocelin chegou a ser indicado para ocupar a pasta da Educação, mas acabou vencido por Neuza Canabarro. A implementação do calendário rotativo foi a "gota d''água" e ele se afastou do PDT. A convite de Valdir Fraga, migrou para o PTB e se elegeu vereador, em 1992.

''Lutei para que as pessoas pensassem''

Nas eleições de 1996, Jocelin ficou como suplente, mas acabou vereador atuante. Nega Diaba, titular da cadeira, tinha saúde frágil, e ele exerceu boa parte do mandato. Só que, no pleito seguinte, não se elegeu. "Aí saí da política e fui cuidar do meu escritório." De novo, o PMDB voltaria a cruzar seu caminho. A reaproximação com Germano Rigotto resultou em sua filiação a sigla. Em 2004 voltou a pleitear uma vaga na Câmara de Vereadores, sem sucesso, e saiu do PMDB. "Fui buscar um discurso de oposição, porque no país passou a existir só a chamada ''governabilidade'' e optei pelo Democratas (Dem). Mas lá, infelizmente, não havia democracia interna."

Com a saída do Dem, Jocelin e seu grupo optaram pelo PSL. "A sigla era pequena e estava desativada. Mas o (diretório) nacional cumpriu a palavra. Temos um diretório aqui, organizado, eu sou o presidente. Não é aquele negócio provisório para a nacional dar canetaço." Quando velhos conhecidos o acusam de estar com um discurso mais "à direita", tem a resposta pronta: "Existe direita e esquerda no Brasil? Porque eu não lutei para ter isso que está aí. Lutei para que as pessoas pensassem".

Dividido entre Londres e Lajeado

É na capital inglesa, Londres, que moram uma filha e duas netas (de 14 e 6 anos de idade) do ex-vereador. A filha, formada em Direito como o pai, faz um curso complementar para exercer a profissão na Inglaterra, e Jocelin não alimenta esperanças de que volte. "Estão muito bem, se adaptaram à vida inglesa. Lá, as crianças só são aceitas na escola a partir dos 3,5 anos de idade. E, até os quatro anos, ficam em período reduzido. Aqui, quando nascem entregam para o Estado."

Para matar a saudades, ele usa a Internet. "Minha neta mais velha disse que, quando crescer, quer ir para Nova Iorque. Mas a menor adorou Porto Alegre e diz que quer voltar para morar com a gente e me ajudar no churrasco", diz Jocelin, entre faceiro e emocionado.

A outra filha de Jocelin mora em Lajeado. E como os frutos não costumam "cair longe do pé", é pedagoga e mestre em educação. Na Capital, onde disputa a prefeitura, ele divide os dias com Slenia, com quem está casado há 39 anos, caminha no parque Marinha do Brasil, se exercita no Grêmio Náutico Gaúcho e busca ler obras que lhe "digam algo". Cita Gabriel García Marquez e Josué Guimarães, que teve o prazer de conhecer na época em que seu escritório era no Centro. E indica best-sellers: "O último que li, ''A Cabana'', é muito bom, com sua interessante visão da fé".

Rotina inclui viagens à Rússia

Nem só de política e educação vive o homem que abre a porta do pequeno apartamento localizado em um agradável condomínio na avenida Padre Cacique. Da sala onde conta seus 61 anos de vida, Jocelin Azambuja chama a atenção para os pássaros que se fazem ouvir e para a quase completa ausência de ruídos da avenida.

Aponta para a churrasqueira na varanda, onde se diverte aos finais de semana. "Eu nasci no Nonoai, morei no Centro e em Petrópolis e só depois vim para o Menino Deus, mas é a minha parte preferida da cidade", revela. Seu escritório de advocacia fica perto. No passado, ele se dedicou às causas trabalhistas, agora atua na área cível.

Fora da campanha, integra um grupo chamado Advogados do Brasil, participa da associação comunitária do bairro, é conselheiro da Federação das Associações de CPMs e preside a Câmara de Fomento das Relações Brasil/Rússia. Foi Jocelin quem trouxe a primeira missão de empresários russos ao Brasil, em 2000. De dois em dois anos, viaja para o antigo centro de poder do regime soviético.


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